A pior culpa é aquela plantada por quem primeiro feriu você.
A pessoa machuca, atravessa limites, pesa a mão nas palavras, invade, diminui, abandona, manipula. Depois, quando você reage, chora, se afasta ou finalmente diz “basta”, ela se coloca no lugar de vítima e pergunta como se nada tivesse acontecido: “por que você está assim comigo?”
Esse tipo de dor confunde por dentro. Você começa a duvidar da própria percepção. Repassa a cena, diminui o que sentiu, tenta entender se exagerou, se foi cruel, se deveria ter suportado mais um pouco. É assim que muita gente ferida acaba pedindo desculpas por sangrar.
Mas o prego não é culpado pela pancada que recebeu.
Quem causa a dor nem sempre aceita o peso do próprio gesto. Há pessoas que querem bater sem parecer violentas, controlar sem parecer duras, cobrar sem oferecer, ferir sem perder a imagem de boas. E, quando encontram resistência, chamam o limite do outro de ingratidão.
Amor não exige que alguém fique imóvel enquanto é ferido. Perdão não obriga ninguém a continuar disponível para novas pancadas. Bondade não é aceitar manipulação em silêncio para manter a paz de quem nunca cuidou da sua.
Deus conhece a diferença entre coração endurecido e coração cansado. Entre vingança e limite. Entre maldade e defesa legítima.
Você não precisa carregar a culpa por ter sentido a dor que alguém provocou. Nem precisa se transformar em vilão só porque decidiu parar de apanhar emocionalmente. Algumas distâncias não nascem da frieza. Nascem do último pedaço de dignidade tentando sobreviver.
DIÁRIO ESPÍRITA

Comentários
Postar um comentário