amais faltarão dissensões enquanto o homem não se despoje dos
sombrios andrajos do egoísmo e do orgulho.
Repontam em toda parte, desde que a criatura se permita arbitragem
indevida, envolvendo os problemas do próximo.
Semelhante a escalracho infeliz, prolifera com celeridade e asfixia as mais
belas expressões de vida no jardim, anulando o esforço da ensementação da
esperança e da alegria.
Sutilmente inicia o contágio, qual ocorre com o morbo e outras variadas
formas de contaminação, culminando por anular nobres esforços.
Quando surge, já se encontra espalhada.
Sem dúvida é câncer moral.
Indispensável vigiar-lhe a metástase no organismo social, de modo a
preservar a comunidade em cujo corpo se instala, utilizando-se da dubiedade
moral e das falhas do caráter em cujas células irrompe.
Policiar a palavra e refletir com segurança são terapêuticas valiosas para
deter-lhe a proliferação.
Preservar-se pela oração, resguardando os ouvidos e o coração à sua
insidiosa interferência são medidas preventivas de real valia.
Desde, porém, que se estabeleçam as redes das tricas e das informações
malsãs, inútil envolver-se, tomando partido.
Salutar erguer-se pelo trabalho edificante às paisagens de luz, a fim de
que, passada a tempestade da dissensão malévola, possam sobreviver nos
seminários do bem as plântulas valiosas e os abençoados frutos de paz e
realização.
*
Resguarda-te dos que promovem dissensões.
Atormentados em si mesmos comprazem-se, na alucinação que os aflige,
em espalhar miasmas, quais cadáveres ao abandono, consumidos pela
desarticulação que os vence.
Cerra os ouvidos diante deles e embora escutando-os à instância deles não
irradies as malsãs informações.
Candidatas-te ao serviço e ao entendimento, não ao mister de usufruir, de
desfrutar benefícios.
Se considerares que estás na Terra em reparação espiritual, recuperando
o patrimônio malbaratado, submeter-te-ás facilmente à injunção deles, sem os
sofreres, sem te magoares.
Tornados teus censores, transformados em teus fiscais, compreenderás
que são teus benfeitores.
O trilho estreito que obriga a locomotiva à obediência salva-a de desastres
lamentáveis.
O cautério que dói libera o corpo da enfermidade perniciosa.
A poda violenta obriga a seiva à renovação da vida no vegetal exaurido.
Assim a dor, as dificuldades.
Mesmo acossado, submetido à rigorosa constrição dos companheiros em
agonia moral, que desconhecem a procedência do mal que os vitima, não dissintas.
Se não concordas, silencia e aguarda o tempo.
Se executares a tua parte corretamente, o valor do dever cumprido
realçará o teu esforço.
Se não pretendes a glória do êxito no trabalho, não te preocuparás com a
ausência do sucesso nas tuas realizações.
O triunfo de fora jamais sacia a sede de paz interior.
Discordar, quiçá dialogar, apresentando opiniões e fraternalmente
sugerindo, são atitudes relevantes que não podes desconsiderar nem delas te
podes evadir. Dissentir, jamais.
*
O Colégio Galileu mantinha dificuldades entre os seus membros. Jesus,
porém, como medida de perfeito equilíbrio não se permitiu dominar ou ceder
ante as murmurações, os distúrbios que assolavam nas paisagens morais dos
companheiros desatentos.
Ajudava-os sem os ferir, sem os azorragar, sem os incriminar.
Sabendo-os crianças espirituais, mantinha em relação a eles indulgência e
abnegação, socorrendo-os sem termo.
Toma-o como teu exemplo e faze conforme Suas lições vivas te
ensinaram.
Se, todavia, sentires a fragilidade dominando-te. reflete que aquele que
sobrecarrega o irmão já cansado, censurando-o ou malsinando-o, faz-se
responsável pela sua desídia como pela sua queda.
Envolve-te em qualquer situação e lugar onde medrem dissensões —
nestes tormentosos dias de paixões generalizadas e ácidas agressões
verbalistas — na lã do Cordeiro de Deus e faze o teu caminho pavimentado
com a humildade e a renúncia, lobrigando, assim, alcançar as cumeadas da
montanha de redenção, donde fruirás a paz da consciência tranqüila e a alegria
do dever cumprido.
EMMANUEL/CHICO XAVIER
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