Quando aparece o momento de fracasso, na esfera das boas obras, ouve-se
comumente a repetição de afirmativas feitas:
- Eu bem disse...
- Avisei muito...
- Ninguém esperava por essa...
- Se a responsabilidade estivesse em minhas mãos, isso nunca sucederia...
-Foi muita imprevidência...
- Se eu soubesse antes, agiria de outra forma...
Depois de cada frase, alinham-se os comentários. Interpretações deprimentes,
versões fesceninas, maldições, boatos.
Convençamo-nos, porém, de que advertências ou queixas tardias não
adiantam. Não vale reclamar à frente dos escombros de casa caída; urge verificar a
extensão do desastre e socorrer as vítimas. Suar na remoção dos destroços e
rearticular possibilidades. Estabelecer a calma e selecionar o que se faça útil.
Nas crises das boas obras, é preciso atender igualmente a isso. Aprender a
recomeçar vezes e vezes. Sofrer e seguir adiante. Contar com dificuldade, censura,
impedimento, solidão.
Em se tratando de ti mesmo, não percas tempo, chorando ou lastimando
quando é justamente a hora de agir. Perante as complicações inevitáveis, é imperioso te
disponhas a colaborar com mais segurança na vitória do bem. Se surge o problema da
deserção nas fileiras, abençoa os companheiros que não puderam prosseguir em ação e,
tanto quanto seja possível, coloca nos próprios ombros a carga de responsabilidade que
te deixaram aos pés. Eles retornarão quando as forças lhes permitirem e saberão
agradecer-te o concurso.
Quanto às duvidas prováveis que possas manter em relação à próprias energias
para a sustentação dos deveres em marcha, convence-te de que nenhum de nós possui
recursos suficientes para executar plenamente as realizações do Evangelho; entretanto,
acima de tudo, crê no amor e no poder de Jesus, que te aceitou a cooperação. Nele
encontramos luz na obscuridade e complementação na fraqueza. Ele te fará superar
todos os empeços. E se te entregas fielmente à proteção dele, sem que saibas definir ou
sequer imaginar, quanto te reconheças em meio de perigos supremos, na onda revolta
das tentações e dos problemas, e nada mais esperes senão soçobrar, sentir-lhe-ás a
vigorosa mão sobre a tua e aprenderá, por fim, no grande silêncio da alma, que Ele, o
Senhor, em teu coração e em tua fé, pode realizar tudo aquilo que te parece impossível.
EMMANUEL/CHICO XAVIER
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