Quando o amor entre irmãos é para sempre!
Era impossível passar um dia inteiro sem que Lara e Caio brigassem.
— Caio! Quantas vezes eu já falei para não mexer nas minhas bonecas? — reclamou Lara, segurando uma boneca sem um dos sapatos.
— Eu só queria brincar! — respondeu o menino de cinco anos, cruzando os braços.
— Você sempre estraga tudo!
— Você é chata!
— E você é um pestinha!
Os dois ficaram emburrados em cantos opostos da sala. A mãe suspirou. O pai apenas riu.
— Aposto que daqui a dez minutos eles estarão abraçados de novo.
E estava certo.
Pouco depois, Caio apareceu com os olhos cheios de lágrimas.
— Lara... me ajuda a montar meu quebra-cabeça?
Ela revirou os olhos.
— Você desmontou minhas coisas.
— Por favor...
Lara não conseguiu resistir.
— Tá bom. Vem aqui.
Era assim todos os dias. Brigavam por brinquedos, por espaço no sofá, pelo controle da televisão. Mas bastava alguém mexer com Caio na escola para Lara virar uma verdadeira leoa.
— Não fala assim com meu irmão! — ela já havia dito mais de uma vez para crianças maiores.
E Caio a admirava como se ela fosse uma heroína.
Por isso, quando os pais anunciaram o divórcio, o mundo dos dois pareceu desabar.
Naquela noite, os quatro estavam sentados à mesa da cozinha.
A mãe segurava as mãos nervosamente.
— Filhos, precisamos conversar.
Lara sentiu um aperto estranho no peito.
O pai respirou fundo.
— Eu e sua mãe decidimos nos separar.
O silêncio tomou conta da casa.
Caio não entendeu imediatamente.
— Separar como?
A mãe sorriu com tristeza.
— Vamos morar em casas diferentes.
Lara sentiu os olhos arderem.
— Vocês estão brigando?
— Não, meu amor — respondeu o pai. — Às vezes os adultos apenas escolhem caminhos diferentes.
Mas para Lara aquilo não fazia sentido.
Ela olhou para Caio.
O irmão parecia assustado.
E então veio a pior parte.
— Fizemos um acordo — continuou a mãe. — Lara ficará comigo.
O coração da menina acelerou.
— E o Caio?
O pai abaixou a cabeça.
— Caio vai morar comigo.
Foi como se o chão desaparecesse.
— O quê? — Lara levantou da cadeira. — Não!
— Filha...
— Não! Não! Não!
Caio começou a chorar.
— Eu não quero ir embora!
A mãe também chorava.
Mas a decisão já estava tomada.
As semanas seguintes foram as mais difíceis da vida deles.
No dia da mudança, Caio abraçou a irmã com tanta força que parecia não querer soltá-la nunca mais.
— Eu vou sentir sua falta — disse ele entre lágrimas.
— Eu também.
— Você promete que não vai esquecer de mim?
Lara começou a chorar ainda mais.
— Nunca.
Quando o carro do pai desapareceu na esquina, a menina correu para o quarto.
Pela primeira vez, o silêncio da casa parecia assustador.
Ninguém mexia em seus brinquedos.
Ninguém escondia suas canetas.
Ninguém entrava correndo no quarto sem bater.
E ela descobriu algo inesperado.
Sentia falta de tudo isso.
Os meses passaram.
Eles faziam chamadas de vídeo todos os dias.
— Olha meu desenho! — mostrava Caio.
— Ficou lindo!
— Hoje eu perdi um dente!
— Mentira!
— Verdade!
Mas não era a mesma coisa.
À noite, Lara sentava na cama e observava a cama vazia do irmão.
Às vezes pegava uma foto dos dois e chorava escondida.
Caio também sofria.
Na casa dos avós havia carinho, atenção e muitos mimos.
Mas faltava sua pessoa favorita.
— Vovó...
— Sim?
— Você acha que a Lara sente minha falta?
— Tenho certeza.
— Porque eu sinto dela o tempo todo.
Um ano se passou.
Então algo mudou.
O pai conseguiu uma promoção.
Com ela veio uma oportunidade de trabalhar na própria cidade, sem viagens constantes.
Numa tarde de domingo, ele reuniu todos novamente.
Lara e Caio estavam sentados lado a lado.
— Tenho uma notícia — disse o pai.
— Boa ou ruim? — perguntou Caio.
— Muito boa.
A mãe sorriu.
— Seu pai vai ficar na cidade.
— E daí? — perguntou Lara.
O pai sorriu.
— Daí que conversamos bastante... e encontramos uma solução.
Os irmãos se entreolharam.
— Que solução? — perguntou Caio.
— Vocês não vão mais precisar viver separados.
Por alguns segundos ninguém falou nada.
— Como assim? — sussurrou Lara.
— Vocês vão passar metade da semana comigo e metade com a mamãe. Juntos.
Caio piscou.
Depois abriu um sorriso enorme.
— Juntos?
— Juntos.
O menino correu e abraçou a irmã.
— Você ouviu?
Lara começou a rir e chorar ao mesmo tempo.
— Ouvi!
— Nunca mais vou ficar longe de você!
— Nem eu de você, pestinha.
— Ei!
— É verdade.
Caio fez careta.
— Você continua chata.
— E você continua mexendo nas minhas coisas.
— Vou continuar mexendo.
— Eu sei.
Os dois se abraçaram.
Os pais observaram a cena emocionados.
Porque, apesar de todas as mudanças, de todas as dificuldades e da dor que haviam enfrentado, uma coisa nunca mudou:
O amor entre Lara e Caio.
Um amor que sobrevivera à distância, à saudade e ao tempo.
Um amor de irmãos que nem mesmo a separação dos pais conseguiu diminuir.
E naquela noite, enquanto brigavam para decidir qual filme assistir, os dois perceberam que estavam exatamente onde queriam estar:
Juntos. ❤️

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