Alma querida, não guardes para depois o bem que podes realizar hoje.¨¨¨¨

 

Alma querida, não guardes para depois o bem que podes realizar hoje.

A força que Deus te empresta não veio apenas para sustentar teus próprios passos. Veio também para levantar alguém no caminho, suavizar uma palavra, repartir um pouco de pão, oferecer paciência onde a irritação queria vencer, deixar uma lembrança doce onde a vida já tem sido áspera demais.

Muitos esperam grandes ocasiões para servir. Desejam recursos maiores, tempo perfeito, paz completa, ambiente favorável. Enquanto aguardam, pequenos pedidos de auxílio passam pela porta do coração sem serem atendidos.

O bem, porém, raramente chega vestido de grandeza.

Ele aparece na visita que consola, na resposta que não fere, na moeda repartida, na prece feita por alguém que nem sabe que está sendo lembrado, no silêncio escolhido para não aumentar uma dor. Deus coloca em nossas mãos pequenas luzes, todos os dias, para que aprendamos a iluminar sem alarde.

Quando a morte chegar, não perguntará quantas coisas acumulamos, nem quantos aplausos nos seguiram. A consciência, desperta diante da vida espiritual, reconhecerá com clareza aquilo que fizemos aos outros. Cada gesto de ternura voltará como bênção. Cada indiferença pedirá reparação. Cada oportunidade perdida ensinará, com delicadeza e firmeza, o valor do tempo que passou.

Não temas servir.

Ninguém empobrece por amar. Ninguém perde luz por dividir esperança. O bem que ofereces ao cansado retorna como paz ao teu próprio espírito, porque a caridade verdadeira não sai de nós vazia. Ela parte como auxílio e volta como claridade.

Usa, hoje, a força que ainda tens.

Perdoa um pouco mais.

Ajuda sem humilhar.

Trabalha sem reclamar tanto.

Ora por quem te feriu.

Acolhe quem a vida esqueceu.

Um dia compreenderás que toda bondade entregue ao mundo foi também uma semente plantada no próprio coração.


Diário Espírita

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