Nem sempre é o outro que te ameaça. """""

 

Quando a atitude do outro te fere com intensidade desproporcional, silencia por um instante e observa o que se levanta dentro de ti.

Nem sempre é o outro que te ameaça. Muitas vezes, é a tua própria sombra pedindo reconhecimento.

Aquilo que te incomoda no semelhante pode ser apenas o espelho delicado de uma luta íntima ainda não pacificada. A impaciência que condenas talvez seja a tua pressa disfarçada. O orgulho que reprovas talvez encontre morada secreta em tuas próprias reações. A frieza que te magoa talvez revele antigos medos de rejeição que ainda não foram curados em teu coração.

Não te apresses em julgar. O julgamento é quase sempre uma fuga elegante da responsabilidade de olhar para si mesmo.

O outro não surge no teu caminho apenas para agradar-te. Muitas vezes, ele vem como lição, como convite, como instrumento da vida para te mostrar aquilo que ainda precisa ser educado em tua alma.

Na convivência, Deus oferece uma escola sublime. Cada pessoa difícil é uma página de aprendizado. Cada conflito é uma oportunidade de autodescobrimento. Cada incômodo pode ser transformado em luz, quando acolhido com humildade e coragem moral.

Não digas apenas: “ele me irrita”. Pergunta antes: “o que em mim ainda se irrita com isso?”

Não afirmes somente: “ela me incomoda”. Indaga: “que parte de mim ainda não aprendeu a compreender?”

A reforma íntima começa quando deixamos de usar o erro alheio como desculpa e passamos a usá-lo como revelação.

Perdoa, mas também desperta. Compreende, mas também transforma-te. Ama, mas não deixes de educar os sentimentos que ainda te aprisionam.

Porque todo encontro é sagrado quando visto pelos olhos do Espírito.

E aquele que hoje te desafia talvez seja, sem saber, o mensageiro silencioso que a vida enviou para conduzir-te a uma versão mais lúcida, mais pacífica e mais amorosa de ti mesmo.


 

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