Se tudo é transitório, aproveitemos o dia para amar mais. """""

 

Quando a alma desperta para a verdade de que nada na Terra nos pertence para sempre, começa a compreender que a vida física é uma escola breve, onde tudo passa para que o espírito permaneça.

Passam posses, títulos, discussões que pareciam importantes. Passam os rostos amados, ainda que o amor não morra. Passam dores que julgávamos eternas, e também alegrias que desejávamos prender com as mãos. Tudo se modifica, porque Deus não nos criou para a estagnação, mas para o progresso.

Diante disso, o orgulho se revela como pesada vestimenta sobre ombros cansados. Para que nos julgarmos maiores que alguém, se todos dependemos do mesmo sopro divino? Para que disputar lugares, aplausos e vantagens, se a sepultura iguala os corpos e a consciência recolhe o bem que semeou?

A ganância perde o brilho. O ouro que não se transforma em pão, remédio, amparo e esperança vira prisão invisível para quem o acumula. A riqueza que não serve ao amor pesa mais que a pobreza suportada com dignidade.

E as mágoas, cultivadas no silêncio do coração, mostram-se crianças assustadas pedindo luz. Quantas vezes carregamos ofensas por anos, enquanto o ofensor já seguiu o próprio caminho! Perdoar não é aprovar o erro alheio, mas libertar a alma do cárcere onde ela mesma se encerrou.

Se tudo é transitório, aproveitemos o dia para amar mais. Se a vida é frágil, sejamos menos duros. Se o tempo nos visita sem aviso de partida, abracemos enquanto podemos, peçamos perdão enquanto há voz, agradeçamos enquanto há oportunidade.

Nada é definitivo. Mas cada gesto de bondade fica gravado no livro invisível da consciência. O corpo passa, a casa passa, o dinheiro passa, a vaidade passa. Só o amor, vivido em silêncio e serviço, segue conosco como luz acesa no caminho da eternidade.

Que hoje possamos diminuir uma queixa, desfazer uma disputa, vencer um orgulho, repartir um recurso e acalmar uma saudade. Porque quem compreende a brevidade da vida aprende que perder tempo sem amar é a única perda realmente triste.


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