ENTRE NÓS - CASIMIRO CUNHA ***

 Coração que não se abre

À sementeira do amor

Não guarda com segurança

A luz do Consolador.

Muita leitura sem obras

De ensino e consolação

Traz a flor parasitária

Da inútil conversação.


Desalento choramingas

Em pranto sempre a correr

Expressa, freqüentemente,

Muito serviço a fazer.


Comentários contra ingratos,

Verbo amargoso e violento,

São tristes revelações

Do anseio de isolamento.

Discursos sem caridade

Fraternidade sem portas

Tribunas que não amparam

São sinais de fontes mortas.

Fadiga de todo instante,

Chorosa, escura e sediça,

Traduz, sem contestação,

Fragilidade e preguiça.

Cabeça muito ilustrada

Sobre a vida em calmaria

É uma lavrada em ouro,

Muito nobre, mas vazia. 


Entusiasmo eloqüente

Sem atos de amor cristão

É fogo de palha seca

Em bolhas de água-sabão.


Sublime conhecimento

Distanciado do bem,

É tesouro enferrujado

Que não ajuda a ninguém.

Banquetes da inteligência,

Sem Jesus suprindo a mesa,

São brilhos da força bruta

Em pedras da natureza.

 

Casimiro Cunha 


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