Recordando o natal -- EMMANUEL ***

 O maior de todos os conquistadores na face da terra conhecia, de

antemão, as dificuldades do campo em que lhe cabia operar.

Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar

para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações.

No entanto, buscou-as, espontâneo, asilando-se ao casebre dos animais.

Sabia que os doutores da lei ouvi-lo-iam indiferentes aos ensinamentos

da vida eterna de que se fazia portador.

Contudo, entregou-lhes, confiante, a divina palavra.

Não desconhecia que contava, simplesmente, com homens frágeis e

iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na

plataforma sublime e abraçou-os tais quais eram.

Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe

mantinham cerradas, mas transmitiu as boas-novas do reino da luz à

multidão de necessitados, inscrevendo-as na alma do povo.

Não ignorava que o mal lhe agredia as mãos generosas pelo bem que

espalhava. Entretanto, não deixou de suportara ingratidão e a crueldade

cem brandura e entendimento.

Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava

levantariam contra ele as matilhas da perseguição e do ódio.

Todavia, mio desertou do apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício

da cruz com que lhe sufocavam a voz.

E por isso que o natal não é aproas a promessa da fraternidade e da paz

que se renova alegremente entre os homens mas, acima de tudo, é a

reiterada mensagem do cristo que nos induz a servir sempre,

compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições,

trevas e chagas, que é nosso dever amá-lo e auxiliá-lo mesmo assim.


Emmanuel/CHICO XAVIER

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