Em março de 1921, Rose Sullivan, de apenas 15 anos e grávida de oito meses, entrou nos túneis subterrâneos do Boston City Hospital para fugir do próprio marido.
Rose vivia em um casamento arranjado desde os 13 anos. O marido, dez anos mais velho, era descrito como controlador e violento, e ela temia que, depois do nascimento do bebê, fosse completamente isolada.
Naquela manhã, conseguiu chegar ao hospital e encontrou uma passagem que levava aos túneis usados para transportar corpos entre o necrotério e outros prédios da instituição.
Ali, encontrou Patrick O’Brien, funcionário do necrotério, que teria decidido ajudá-la.
Rose estava exausta e assustada. Grávida, caminhava por corredores frios e escuros enquanto pessoas procuravam por ela dentro do hospital.
O’Brien a conduziu pelos túneis até uma área onde pudesse receber ajuda médica e proteção.
A fuga terminou na clínica para mulheres, onde Rose conseguiu finalmente ficar longe do marido.
Cerca de um mês depois, deu à luz no próprio hospital.
O que torna essa história tão marcante não é apenas o caminho que ela percorreu, mas a escolha que teve de fazer: enfrentar os túneis de um necrotério, grávida e sozinha, porque considerava aquilo menos assustador do que voltar para casa.
Os túneis que normalmente serviam para transportar mortos tornaram-se, naquela história, o caminho para uma nova vida.
Rose sobreviveu, criou o filho e passou o restante da vida longe daquele casamento.
É uma história sobre medo, desespero e coragem.
Porque, às vezes, escapar da morte significa simplesmente encontrar forças para caminhar em direção à vida.
História Perdida
Fonte:
Boston City Hospital Archives
Boston Medical Library
Boston Globe
Boston Public Library
Massachusetts Historical Society

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