Assim disse o Mestre, e prosseguiu, confirmando esta grande verdade
cósmica: “Pois todo aquele que pede receberá; quem procura achará; e a
quem bate abrir-se-lhe-á.
Mais uma vez enuncia Jesus uma lei eterna e infalível, baseada na
polaridade de todas as coisas. É necessário que o homem peça, procure, bata
—mas nada disto é suficiente. O pedir, procurar, bater não é causa daquilo que
ele recebe, acha e das portas que se lhe abrem; mas tudo isto é condição
indispensável, fator preliminar para que a graça de Deus possa entrar em
movimento, agir rumo ao homem que assume essa atitude propícia, que crea
em si essa atmosfera e esse clima favorável para que a plenitude de Deus
possa fluir para dentro da vacuidade do homem. Não há, nem jamais poderá
haver, um pedir, um procurar, um bater tão poderoso que possa produzir,
causar de dentro de si mesmo, o menor dos dons espirituais, porque esses
dons são essencialmente gratuitos, são puríssima graça, e, portanto, 100% de
graça. E cegueira espiritual e orgulho luciférico pensar que o homem-ego, o
homem persona possa causar, isto é, merecer algo daquilo que lhe é dado, que
ele acha ou que se lhe abre. O abrimento de uma janela não causa a luz solar
que vai iluminar a sala; a adubação de uma planta não causa o seu
crescimento, florescimento e frutificação — mas esses atos são necessários
como condições preliminares para que a causa possa atuar e produzir de si
mesma os seus efeitos, para que o sol possa iluminar a sala, para que a vida
cósmica refletida na planta possa expandir-se. Nenhum abrir de janela pode
causar luz solar; nenhum adubar de planta pode criar vida.
A causa é sempre um fator interno — ao passo que a condição é
apenas um adjutório externo. Nenhum fato material ou mental pode causar um
efeito espiritual, porque, em hipótese alguma, pode o efeito ser maior que sua
causa. Deus dá a quem pede; Deus faz achar a quem procura. Deus abre a
quem bate. Deus é sempre a causa intrínseca do efeito; o homem é apenas
condição extrínseca do mesmo. O homem que se considera causa de um efeito
espiritual, que julga poder merecer um dom divino, dá prova de profunda
ignorância aliada a uma detestável arrogância. É a satanidade do ego que se
arroga semelhante grandeza e poder.
Se alguém alega que não necessita de pedir nada a Deus, porque Deus
já sabe perfeitamente de que o homem tem mister, mostra que não compreendeu
a razão de ser desse “pedir”. Não pedimos para lembrar a Deus o que,
porventura, tenha esquecido, mas sim para criar dentro de nós mesmos um
ambiente tal que o espírito de Deus encontre a necessária afinidade por onde
possa atuar sobre nós. O objeto do “pedir” não é Deus, mas o próprio homem.
A graça de Deus está sempre presente ao homem, mas nem sempre o homem
está em condições de receber essa graça. O pedir, procurar, bater faz com que
também o homem se torne presente a Deus que sempre está presente ao
homem. Quem se acha em plena luz solar, de olhos fechados, não 5º êaluz,
embora presente; mas, se abrir os olhos, verá a luz solar que sempre estava
presente. O pedir, procurar, bater é como que um abrir de olhos à luz de Deus.
‘Torna favorável a disposição desfavorável do homem – e onde quer que haja
disposição favorável, a graça de Deus atua poderosamente.
*
Há três classes de homens: 1) os que não pedem, não procuram, não
batem em portas fechadas, mas esperam que Deus faça tudo por eles, como a
outros tantos autômatos passivos e inertes; esses nada recebem, acham, nem
encontram portas abertas; 2) os que pedem, procuram, batem com
impetuosidade, na convicção de que essa sua atividade humana possa
produzir de si mesma o resultado desejado; são os auto-suficientes, os autocomplacentes,
os que têm ilimitada confiança na onipotência do seu ego físico mental-
emocional; esses não recebem dons divinos, mas recebem, quando
muito, os pequenos dons correspondentes à potência ou impotência desse seu
ego humano; 3) há, finalmente, os que pedem, procuram, batem, criando
destarte uma atitude de receptividade, esvaziando-se do seu pequeno ego
humano, produzindo em si uma espécie de “vórtice de sucção”, que atrai com
silenciosa veemência a plenitude de Deus.
Neste sentido dizem os livros sacros: “Deus resiste aos soberbos (os da
segunda classe), mas dá sua graça aos humildes”. Humilde, humildade,
épalavra muito mal compreendida, como se fosse algo indigno de um homem
de brio e senso de dignidade, quando, na realidade, não é senão a verdade
sobre o próprio homem e a vivência em plena sintonia com essa verdade, O
orgulho é sempre filho do erro, a humildade é sempre filha da verdade.
Quando Jesus diz de si “as obras que eu faço não sou eu quem as faz,
mas sim o Pai que em mim está” — ou “a minha doutrina não é minha, mas sim
a daquele que me enviou” enuncia ele esta grande verdade: Não é o meu
pequeno ego humano, a minha pessoa (o meu Jesus humano) que produz
esses efeitos espirituais, mas é o elemento divino em mim, o meu divino Cristo
(meu Pai) que tal coisa produz. O seu humano ego é apenas o canal e veículo
por onde fluem as águas divinas dos grandes efeitos realizados.
Em última análise, toda a santidade repousa num problema de
compreensão da realidade. O pecador é, acima de tudo, um ignorante da
realidade, que se deixa iludir por aparências e pseudo-realidades; é um
“insipiente”, isto é, um “não sapiente”, o que equivale a dizer, um ignorante.
“Disse o insipiente em seu coração: Não há Deus!” Isto diz o ignorante, não o
sábio ou sapiente.
Todo o segredo da vida espiritual e auto-realização consiste em que o
homem trabalhe intensamente, como se tudo dependesse do seu trabalho e ao
mesmo tempo confie em Deus, como se tudo dependesse unicamente da
graça divina. Se conseguir sintetizar numa perfeita harmonia esses dois
elementos, aparentemente incompatÍveis, nada lhe será impossível, porque
essa atitude o tornará onipotente por participação.
Quem lança mão de todas as previdências humanas — e ao mesmo
tempo confia plenamente na providência de Deus, é inderrotável.
*
Este princípio, mutatís mutandís, vale, aliás, para todas as atividades
humanas. Muitas vezes trabalhamos intensamente, estudando, pesquisando,
torturando o corpo e a mente — sem solução alguma. Depois, desistimos e
tratamos de outros assuntos —e eis que, subitamente, a solução aponta, como
que por milagre, e todo de improviso, em nossa mente! Algo em nós continuou
a trabalhar, subterrânea ou subconscientemente, enquanto o nosso consciente
se ocupava com outras coisas. Isaac Newton, não raro, adormecia sem ter
conseguido o resultado de um cálculo matemático ou a visão nítida de uma lei
astronômica — mas, durante o sono, a solução se cristalizava com absoluta
clareza, de maneira que, ao acordar, a podia lançar ao papel sem dificuldade.
O grande industrial norte-americano Roberto Le Tourneau voltou, altas
horas da noite, de uma reunião da Sociedade Missionária a que pertencia, e
tentou, embora exausto, terminar o desenho de uma peça de máquina que
tinha de entregar na manhã seguinte; mas adormeceu sobre o papel, mal
iniciara o desenho. Na manhã seguinte verificou, com grande surpresa, que o
desenho estava pronto, e mais perfeito do que ele o poderia fazer em estado
de consciência vígil.
Quando o povo atribui a Deus as palavras “Homem, ajuda-te — que eu te
ajudarei!” —enuncia esta mesma verdade.
Crear em si mesmo uma atitude de intensa receptividade, sem, contudo,
esperar o resultado dessa atitude — é esta a mais difícil de todas as artes. E
poucos chegam a ser mestres nessa arte. Relativamente fácil é alguém se
convencer de que a sua contribuição humana não seja necessária para as
obras divinas, um a vez que Deus é onipotente e não necessita de nenhuma
das suas criaturas — esta atitude prevalece no oriente, O homem ocidental,
essencialmente ativo e dinâmico, facilmente cai no erro contrário, julgando
poder produzir o resultado total só com sua atuação, que ele considera não só
necessária, mas, também, suficiente.
O Cristo, porém, se acha eqüidistante desta atitude ocidental e oriental;
ele é universal, cósmico.
cósmica: “Pois todo aquele que pede receberá; quem procura achará; e a
quem bate abrir-se-lhe-á.
Mais uma vez enuncia Jesus uma lei eterna e infalível, baseada na
polaridade de todas as coisas. É necessário que o homem peça, procure, bata
—mas nada disto é suficiente. O pedir, procurar, bater não é causa daquilo que
ele recebe, acha e das portas que se lhe abrem; mas tudo isto é condição
indispensável, fator preliminar para que a graça de Deus possa entrar em
movimento, agir rumo ao homem que assume essa atitude propícia, que crea
em si essa atmosfera e esse clima favorável para que a plenitude de Deus
possa fluir para dentro da vacuidade do homem. Não há, nem jamais poderá
haver, um pedir, um procurar, um bater tão poderoso que possa produzir,
causar de dentro de si mesmo, o menor dos dons espirituais, porque esses
dons são essencialmente gratuitos, são puríssima graça, e, portanto, 100% de
graça. E cegueira espiritual e orgulho luciférico pensar que o homem-ego, o
homem persona possa causar, isto é, merecer algo daquilo que lhe é dado, que
ele acha ou que se lhe abre. O abrimento de uma janela não causa a luz solar
que vai iluminar a sala; a adubação de uma planta não causa o seu
crescimento, florescimento e frutificação — mas esses atos são necessários
como condições preliminares para que a causa possa atuar e produzir de si
mesma os seus efeitos, para que o sol possa iluminar a sala, para que a vida
cósmica refletida na planta possa expandir-se. Nenhum abrir de janela pode
causar luz solar; nenhum adubar de planta pode criar vida.
A causa é sempre um fator interno — ao passo que a condição é
apenas um adjutório externo. Nenhum fato material ou mental pode causar um
efeito espiritual, porque, em hipótese alguma, pode o efeito ser maior que sua
causa. Deus dá a quem pede; Deus faz achar a quem procura. Deus abre a
quem bate. Deus é sempre a causa intrínseca do efeito; o homem é apenas
condição extrínseca do mesmo. O homem que se considera causa de um efeito
espiritual, que julga poder merecer um dom divino, dá prova de profunda
ignorância aliada a uma detestável arrogância. É a satanidade do ego que se
arroga semelhante grandeza e poder.
Se alguém alega que não necessita de pedir nada a Deus, porque Deus
já sabe perfeitamente de que o homem tem mister, mostra que não compreendeu
a razão de ser desse “pedir”. Não pedimos para lembrar a Deus o que,
porventura, tenha esquecido, mas sim para criar dentro de nós mesmos um
ambiente tal que o espírito de Deus encontre a necessária afinidade por onde
possa atuar sobre nós. O objeto do “pedir” não é Deus, mas o próprio homem.
A graça de Deus está sempre presente ao homem, mas nem sempre o homem
está em condições de receber essa graça. O pedir, procurar, bater faz com que
também o homem se torne presente a Deus que sempre está presente ao
homem. Quem se acha em plena luz solar, de olhos fechados, não 5º êaluz,
embora presente; mas, se abrir os olhos, verá a luz solar que sempre estava
presente. O pedir, procurar, bater é como que um abrir de olhos à luz de Deus.
‘Torna favorável a disposição desfavorável do homem – e onde quer que haja
disposição favorável, a graça de Deus atua poderosamente.
*
Há três classes de homens: 1) os que não pedem, não procuram, não
batem em portas fechadas, mas esperam que Deus faça tudo por eles, como a
outros tantos autômatos passivos e inertes; esses nada recebem, acham, nem
encontram portas abertas; 2) os que pedem, procuram, batem com
impetuosidade, na convicção de que essa sua atividade humana possa
produzir de si mesma o resultado desejado; são os auto-suficientes, os autocomplacentes,
os que têm ilimitada confiança na onipotência do seu ego físico mental-
emocional; esses não recebem dons divinos, mas recebem, quando
muito, os pequenos dons correspondentes à potência ou impotência desse seu
ego humano; 3) há, finalmente, os que pedem, procuram, batem, criando
destarte uma atitude de receptividade, esvaziando-se do seu pequeno ego
humano, produzindo em si uma espécie de “vórtice de sucção”, que atrai com
silenciosa veemência a plenitude de Deus.
Neste sentido dizem os livros sacros: “Deus resiste aos soberbos (os da
segunda classe), mas dá sua graça aos humildes”. Humilde, humildade,
épalavra muito mal compreendida, como se fosse algo indigno de um homem
de brio e senso de dignidade, quando, na realidade, não é senão a verdade
sobre o próprio homem e a vivência em plena sintonia com essa verdade, O
orgulho é sempre filho do erro, a humildade é sempre filha da verdade.
Quando Jesus diz de si “as obras que eu faço não sou eu quem as faz,
mas sim o Pai que em mim está” — ou “a minha doutrina não é minha, mas sim
a daquele que me enviou” enuncia ele esta grande verdade: Não é o meu
pequeno ego humano, a minha pessoa (o meu Jesus humano) que produz
esses efeitos espirituais, mas é o elemento divino em mim, o meu divino Cristo
(meu Pai) que tal coisa produz. O seu humano ego é apenas o canal e veículo
por onde fluem as águas divinas dos grandes efeitos realizados.
Em última análise, toda a santidade repousa num problema de
compreensão da realidade. O pecador é, acima de tudo, um ignorante da
realidade, que se deixa iludir por aparências e pseudo-realidades; é um
“insipiente”, isto é, um “não sapiente”, o que equivale a dizer, um ignorante.
“Disse o insipiente em seu coração: Não há Deus!” Isto diz o ignorante, não o
sábio ou sapiente.
Todo o segredo da vida espiritual e auto-realização consiste em que o
homem trabalhe intensamente, como se tudo dependesse do seu trabalho e ao
mesmo tempo confie em Deus, como se tudo dependesse unicamente da
graça divina. Se conseguir sintetizar numa perfeita harmonia esses dois
elementos, aparentemente incompatÍveis, nada lhe será impossível, porque
essa atitude o tornará onipotente por participação.
Quem lança mão de todas as previdências humanas — e ao mesmo
tempo confia plenamente na providência de Deus, é inderrotável.
*
Este princípio, mutatís mutandís, vale, aliás, para todas as atividades
humanas. Muitas vezes trabalhamos intensamente, estudando, pesquisando,
torturando o corpo e a mente — sem solução alguma. Depois, desistimos e
tratamos de outros assuntos —e eis que, subitamente, a solução aponta, como
que por milagre, e todo de improviso, em nossa mente! Algo em nós continuou
a trabalhar, subterrânea ou subconscientemente, enquanto o nosso consciente
se ocupava com outras coisas. Isaac Newton, não raro, adormecia sem ter
conseguido o resultado de um cálculo matemático ou a visão nítida de uma lei
astronômica — mas, durante o sono, a solução se cristalizava com absoluta
clareza, de maneira que, ao acordar, a podia lançar ao papel sem dificuldade.
O grande industrial norte-americano Roberto Le Tourneau voltou, altas
horas da noite, de uma reunião da Sociedade Missionária a que pertencia, e
tentou, embora exausto, terminar o desenho de uma peça de máquina que
tinha de entregar na manhã seguinte; mas adormeceu sobre o papel, mal
iniciara o desenho. Na manhã seguinte verificou, com grande surpresa, que o
desenho estava pronto, e mais perfeito do que ele o poderia fazer em estado
de consciência vígil.
Quando o povo atribui a Deus as palavras “Homem, ajuda-te — que eu te
ajudarei!” —enuncia esta mesma verdade.
Crear em si mesmo uma atitude de intensa receptividade, sem, contudo,
esperar o resultado dessa atitude — é esta a mais difícil de todas as artes. E
poucos chegam a ser mestres nessa arte. Relativamente fácil é alguém se
convencer de que a sua contribuição humana não seja necessária para as
obras divinas, um a vez que Deus é onipotente e não necessita de nenhuma
das suas criaturas — esta atitude prevalece no oriente, O homem ocidental,
essencialmente ativo e dinâmico, facilmente cai no erro contrário, julgando
poder produzir o resultado total só com sua atuação, que ele considera não só
necessária, mas, também, suficiente.
O Cristo, porém, se acha eqüidistante desta atitude ocidental e oriental;
ele é universal, cósmico.

This definitely makes great sense to anyone..
ResponderExcluirI do not disagree with you!!
ResponderExcluirI am in accordance completely...
ResponderExcluirYou're exactly right with this piece...
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