quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Cultivando a Alegria

A alegria é uma virtude divina que, muitas vezes, esquecemos de cultivar. Os ensinamentos de Jesus são, em realidade, orientações precisas para o desenvolvimento de habilidades íntimas e interpessoais que nos permitam a vivência plena da alegria em nossas vidas. Não nos referimos a estados de euforia que passam como estrelas cadentes e são substituídos, muitas vezes, por períodos de desencanto. É útil refletimos, igualmente, que existem alegrais próprias das conquistas humanas na Terra, que são legítimas, dulcificam a vida, não ferem os interesses do corpo e da alma e trazem refrigério aos corações, além de renovarem as energias para os desafios da existência. Essas são alegrias sadias, colhidas na vivência do processo evolutivo natural de nosso orbe. Desejamos, no entanto, tratar aqui de uma alegria espiritual que Jesus ensinava aos seus seguidores a usufruir, quando dizia: “Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena”. (João, 15:11).
Essa alegria é uma leve e serena forma de ser, uma sensação espiritual de bem-estar indizível, que pode ser usufruída por todos os filhos de Deus, mas que necessita de um trabalho no mundo interior e exterior que a desvele em plenitude. Para a realização dessa trabalho só existe um instrumento possível, que devemos utilizar com sabedoria: nossa consciência. Ela é nosso veículo de observação do mundo físico à nossa volta, das situações, das pessoas e suas reações, mas também é um instrumento de pesquisa e conhecimento de nosso mundo interior: dos nossos desejos, emoções e do inconsciente. Maria Clara, a sublime benfeitora de nossa Casa Espírita, nos sugere alguns passos para essa conquista:

                  1 – O primeiro passo consiste em ativar a consciência de Deus em nossas vidas. Nosso Pai vela por nós, e a confiança integral em Sua divina providência nos afasta das terras áridas da insegurança e ansiedade. A prática da oração, tão orientada por Jesus em Seu Evangelho, aliada às reflexões, são recursos inadiáveis.

                  2 – Estar presente em nossos pensamentos, utilizando a consciência para identificar os que nos são úteis e neutralizar os perturbadores é o próximo passo. Pensamentos recorrentes com teor vibratório negativo obliteram nossa mente e podem ser neutralizados com os recursos da meditação e do serviço no bem.

                  3 – Com nossa consciência poderemos navegar no mar de nossas emoções para identificar as que necessitam equilibrar-se e buscar o auxílio, inclusive profissional, que percebermos necessários.

Esses são trabalhos internos. Os externos são as nossas expressões no mundo, através das palavras e ações. Não ferir, não ironizar, não magoar, calar todo o mal, e agir no bem. As energias que geramos em nossos pensamentos, palavras, emoções e atos vão construindo, em nosso mundo íntimo e em torno de nós, um perfeito santuário, uma aura de paz e alegria que nos protege e contagia quem de nós se aproxime. Ativam nossos sentidos internos, nossas potencialidades divinas e a capacidade de percepção das esferas superiores da vida.

Ser alegre é, enfim, viver como espírito imortal, sabendo-se de passagem pela Terra, a caminho da Luz.



Yasmin Madeira

Revista Cultura Espírita - Fev./2011