segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Velhas recordações, velhas doenças

“Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-eis não sete
vezes, mas setenta vezes sete vezes...”
“... Escutai, pois, essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a
vós mesmos; perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos,
pródigos mesmo de vosso amor...”







Trazemos múltiplos clichês mentais arquivados no inconsciente
profundo, resultado de velhas recordações danosas herdadas das mais
variadas épocas, seja na atualidade, seja em outras existências no passado
distante.
Essas fontes emitem, através de mecanismos psíquicos, energias que
não nos deixam sair com facilidade do fluxo desses eventos desagradáveis,
registrados pelas retinas da alma, mantendo-nos retidos em antigas mágoas e
feridas morais entre os fardos da culpa e da vergonha.
Por não recordarmos que o perdão a nós mesmos e aos outros é um
poderoso instrumento de cura para todos os males, éque impedimos o passado
de fluir, não dando ensejo à renovação, e sim a enfermidades e desalentos.
Tentamos viver alienados dos nossos ressentimentos e velhas
amarguras, distraindo-nos com jogos e diversões, ou mesmo buscando alívio
no trabalho ininterrupto, mas apenas estamos adiando a solução futura da dor,
porque essas medidas são temporárias.
É mais fácil dizer que se tem uma úlcera gástrica do que admitir um
descontentamento conjugal; é mais fácil também consentir-se portador de uma
freqüente cólica intestinal do que aceitar-se como indivíduo colérico e inflexível.
Muitas moléstias antes consideradas como orgânicas estão sendo
reconhecidas agora como “psicossomáticas”, porque se encontraram fatores
psicológicos expressivos em sua origem.
As insanidades físicas são quase sempre traduzidas como somatizações
das recordações doentias de ódio e vingança, que, mantidas a longo prazo,
resultam em doenças crônicas.
Dessa forma, compreenderás que a gravidade e a duração dos teus
sintomas de prostração e abatimento orgânico são diretamente proporcionais à
persistência em manteres abertas tuas velhas chagas do passado.
As predisposições físicas das pessoas às enfermidades nada mais são
do que as tendências morais da alma, que podem modificar as qualidades do
sangue, dando-lhe maior ou menor atividade, provocar secreções ácidas ou
hormonais mais ou menos abundantes, ou mesmo perturbar as multiplicações
celulares, comprometendo a saúde como um todo.
Portanto, as causas das doenças somos nós sobre nós mesmos, e, para
que tenhamos equilíbrio fisiológico, é preciso cuidar de nossas atitudes íntimas,
conservando a harmonia na alma.
Indulgência se define como sendo a facilidade que se tem para perdoar.
Muitos de nós ficamos constantemente tentando provar que sempre estivemos
certos e que tínhamos toda a razão; outros ficam repisando os erros e as faltas
alheias. Mas, se quisermos saúde e paz, libertemo-nos desses fardos pesados,que nos impedem de voar mais alto, para as possibilidades do perdão
incondicional.
Perdoar não significa esquecer as marcas profundas que nos deixaram,
ou mesmo fechar os olhos para a maldade alheia. Perdoar é desenvolver um
sentimento profundo de compreensão, por saber que nós e os outros ainda
estamos distantes de agir corretamente. Por não estarmos,
momentaneamente, em completo contato com a intimidade de nossa criação
divina, é que todos nós temos, em várias ocasiões, gestos de irreflexão e
ações inadequadas.
Das velhas doenças nos libertaremos quando as velhas recordações do
“não-perdão” deixarem de comandar o leme de nossas vidas.