domingo, 11 de março de 2012

APOIO VIVO

"Tratamos aqui da coragem para o bem, porque o bem exige coragem para ser feito”.

Atitude imperfeitamente conhecida, raramente praticada.

Não se constitui apenas de fé, não obstante a fé se lhe mantenha por raiz de sustentação.

Não é tão somente esperança, conquanto a esperança lhe assegure a seiva de força.

Tratamos aqui da coragem para o bem, porque o bem exige coragem para ser feito.

Enfeita-se o mal de mil modos com os adornos do bem, de tal sorte que para extirpá-lo da vida a

fim de que o bem verdadeiro se levante na alma, é imprescindível, em muitas ocasiões, até

mesmo a coragem de ser só, qual aconteceu com Jesus no último dia de sua luta pela verdade.

Em numerosas reencarnações, temos interpretado a coragem como sendo arremesso do espírito

para a destruição.

Partilhamos guerras de extermínio, crueldades, delitos, depravações, arvorando-nos em

campeões da coragem quando não passávamos de malfeitores acobertados pela falsa legalidade

de estatutos forjados na base da delinqüência.

Convertíamos o clarão da crença em labaredas da violência, transfigurávamos o alimento da

esperança em veneno da ambição desregrada e, no pressuposto de sermos firmes e corajosos,

nada mais fazíamos que inventar a invigilância que nos impeliu à fossa das grandes culpas, em

cujo lodo nos refocilamos durante séculos de sofrimento reparador.

Desse modo, aprendemos hoje com a Doutrina Espírita, a coragem que Jesus exemplificou, a

expressar-se no valor moral de quem atribui a Deus todas as bênçãos da vida, para canalizar as

bênçãos da própria vida a serviço da felicidade geral.

Coragem de apagar-nos e esquecer-nos, para que o ensinamento se estenda e triunfe

soerguendo o nível de entendimento e elevação para todos, muito embora trabalhando e servindo

constantemente sem nada pedir para nós.

Coragem de silenciar e coragem de falar no momento oportuno.

Coragem de fazer ou deixar de fazer, coerentes com o ensino do Mestre quando nos mostrou que

uma só consciência tranqüila, na execução do dever ante a Providência Divina, pode mais que a

multidão.

Coragem como apoio vivo capaz de viver para o bem dos outros e também de desencarnar,

quando preciso, para que os outros não sejam dominados pelo mal que nos impõe a morte.

Coragem sim. Coragem de sermos bons e simples, afetuosos e leais, porque hoje entendemos,

no Evangelho Restaurado, que bastam audácia e manha para dominar os outros, mas somente à

custa da coragem que o Cristo nos legou é que conseguiremos a vitória em nós e sobre nós, para

que nos coloquemos ao encontro da Grande Vida que estua além da vida terrestre.