segunda-feira, 5 de março de 2012

O EXEMPLO DA ÁRVORE

Dizem que quando a primeira árvore apareceu na Terra, trazia do Pai
Celestial a recomendação de alimentar o homem e auxiliá-lo, em nome do Céu,
por todos os meios que lhe fosse possível.
Resolvida a cumprir a ordenação do Senhor, certo dia foi visitada por um
ladrão, perseguido pela Justiça.
Ele sentia fome e, por isso, furtou-lhe vários frutos.
Em seguida, decepou-lhe muitos galhos, deles fazendo macia cama para
descansar e refazer-se.
A árvore não se agastou com o assalto. Parecia satisfeita em ajudá-lo e
até se mostrava interessada em adormecê-lo, agitando harmoniosamente as
folhas, tangidas pelo vento.
Erguendo-se, fortalecido, o pobre homem ouviu o ruído dos acusadores
que o buscavam e, angustiado, sem saber que rumo tomar na várzea deserta,
notou que o nobre vegetal, em silêncio, como que o convidava a asilar-se em
seus ramos.
Imediatamente, à maneira de um menino, o infeliz escalou o tronco e
escondeu-se na copa farta.
Os guardas vieram e, desistindo de encontrá-lo em razão da busca
infrutífera, retiraram-se para lugarejo distante.
Foi então que o desventurado desceu para o solo, impressionado e
comovido, reparando que se achava à frente de humilde mensageira do Céu.
Roubara-lhe os frutos e mutilara-lhe as frondes; entretanto, ofereceralhe,
ainda, seguro abrigo.
O homem infeliz começou a meditar no exemplo da árvore venerável,
incumbida por Deus de cooperar na distribuição do alimento de cada dia na
Terra, e, nela reconhecendo verdadeira emissária do Céu, que lhe saciara a
fome e lhe dispensara maternal proteção, abandonou o mal em que se havia
mergulhado e passou a ser outro homem.