domingo, 1 de abril de 2012

Relato de um caso de regressão à vidas passadas

Relato de um caso de regressão à vidas passadas

(...) Jean sai da floresta. O sol está se pondo no horizonte. Ele caçou o dia
todo, como o faz habitualmente. É tempo de regressar à velha casa familiar, da
qual percebe os contornos além das colinas. Ela foi construída no século Xll
pelos seus antepassados, meio barões e meio salteadores, que retornaram da Terra
Santa. Seus descendentes, pouco a pouco, ampliaram o solar.

Jean esporeia seu cavalo. Ele tem pressa em chegar. A contornar uma colina tem a
impressão de ouvir um rumor proveniente da casa. Ele se aproxima. Distingue,
agora, uma multidão ao redor da morada. Uma multidão excitada. Camponeses
armados de forcados, constata Jean, que galopa a rédea solta, com os olhos
cravados no que ocorre. A metade do pátio está invadida. Há corpos caídos por
terra. Arrasta-se uma mulher pelos cabelos... O coração de Jean bate mais forte:
é sua mulher que os camponeses maltratam! Eles a estão matando! Que pode ele
fazer? Ele está só. Os poucos homens armados, que lhe restavam ainda há pouco
foram mortos e os servidores que permanecem na casa são todos velhos. Pelo menos
tentará salvar a sua pequena filha. Ele contorna a casa e deixa seu cavalo no
meio da mata onde, escondida na vegetação, se abre uma passagem subterrânea que
conduz ao castelo pela galeria, depois pelos aposentos do castelo, se apossa da
menina em lágrimas e retorna pelo mesmo caminho. Lá fora ouve os gritos de sua
mulher e da multidão enraivecida. Quando alcançam o ar livre, na mata, lá no
pátio o drama terminara. A mulher de Jean jaz sobre a relva, ensangüentada.
Assassinada pelos camponeses em fúria, sem que ele nada tenha podido fazer.
Dominado pelo ódio e pela tristeza, Jean vai a galope com sua filha até o
refúgio num castelo vizinho e amigo. Organiza-se uma expedição, a fim de
encontrar os culpados, que foram punidos. Jean, além de perder a esposa que
amava, era criticado pela filha. Ao longo do caminho durante a fuga dos dois, a
filha gritava ser preciso procurar a mãe que não deviam salvar-se sem ela.
Instalada no castelo vizinho, continuava a nutrir rancor e ressentimento ao pai.
Mais tarde, já crescida, acusava-o de ter sido covarde.

Jean sabia que não se acovardara. Entretanto, não encontrava mais prazer na
vida. Partiu para combater. Havia muito o que fazer no século XVI, agitado por
guerras incessantes. Morreu como queria, alguns anos mais tarde, no campo de
batalha, sempre guardando no coração a dor de ter perdido sua mulher.

No princípio dos anos setenta, ele a reencontrou assim com a filha. Perto de
quatrocentos anos mais tarde. Jean e a mulher se reencontraram em Paris. Eram,
então, Robert e Jeanne, se amaram e se casaram rapidamente. Ignoravam, é claro -
em todo o caso conscientemente -, que já se haviam conhecido, até que
Robert/Jeanne o descobre numa viagem nas vidas anteriores.

Isso é comum. As pessoas que se amaram no passado quase sempre se reencontram em
outras vidas. Este é um dos aspectos emocionantes das pesquisas sobre as vidas
passadas.

As pessoas com as quais você sente um elo poderoso em sua existência estiveram
próximas numa (ou numas) outra vida. Podem ter sido parentes, amigos, amantes,
mas se você sente uma ligação profunda com outro ser, se essa pessoa é como um
prolongamento de você mesmo, há grandes possibilidades de que se tenham amado,
vivido, caminhado, sofrido e rido juntos, em outro tempo, em outro lugar, sob
outra forma física. O amor é uma vibração fundamental a mais poderosa do
Universo. É ele que faz girar os astros, subir a seiva nas árvores e desenvolver
as crianças. O amor é infinito e eterno. Da mesma forma é o amor que une dois
seres humanos: assim foi e assim será. Nem o tempo, nem o espaço, nem a morte
podem separar aqueles que se conheceram e continuam a se encontrar através dos
séculos. Todos os que, em estado de expansão de consciência, revivem uma união
antiga com o companheiro ou companheira na vida presente, sentem e exprimem, com
vigor, o quanto este amor encarnado é pálida cópia da comunhão entre suas almas
no mundo do além.

O contrário também ocorre. Lembro-me de um casal do leste da França. Estavam
casados há dez anos. Tinham dois filhos e viviam, desde que se conheceram, uma
curiosa relação de "ódio-amor". Eu os conduzi a uma regressão em comum nas vidas
passadas, o que faço muito raramente, na qual reencontraram uma vida na Roma
antiga, onde se amavam. Ele era nobre e ela sua escrava. Ele a seduzira e, dessa
relação culposa, nasceu uma criança que acabou sendo jogada num poço, pela
própria mãe. Ignoro quantas vidas comuns teriam vivido juntos desde Roma, mas é
óbvio que restava, entre eles, seqüelas do primeiro encontro. Compreender o fato
ajudou-os a superar os efeitos negativos dessa relação, aprofundando os laços
que os uniam.

Alguns seres que se amaram e se magoaram no passado continuam a se magoar hoje
em dia. É que ainda precisam aprender e compreender, a fim de evoluir. Outros
atingiram juntos o ponto do não retorno. Estes aprenderão alhures, ao lado de
outros seres, o que é a vibração essencial do Amor. Outros, ainda se procuram.
Mas todos, seja qual for o caminho particular e o estágio de evolução, são
chamados a superar seus medos para aprender a amar. É esse o objetivo da nossa
existência, e é a procura do amor incondicional que nos induz a renascer
continuamente, revestindo-nos, sem cessar, do corpo humano. A maior parte das
pessoas não tem consciência disso. Entretanto, muitos procuram desesperadamente
o sentido da sua existência.

Fonte: PATRICK DROUOT , Livro: reencarnação e imortalidade