sábado, 2 de junho de 2012

Saúde


A saúde é assim como a posição de uma residência que  denuncia as condições do morador, ou de um instrumento que  reproduz em si o zelo ou a desídia das mãos que o manejam.
A falta cometida opera em nossa mente um estado de perturbação, ao qual não se reúnem simplesmente as forças desvairadas
de nosso arrependimento, mas também as ondas de pesar e acusa-
ção da vítima e de quantos se lhe associam ao sentimento, instaurando desarmonias de vastas proporções nos centros da alma, a
percutirem sobre a nossa própria instrumentação.
Semelhante descontrole apresenta graus diferentes, provocando lesões funcionais diversas.
A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam
zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência.
É assim que, muitas vezes, a tuberculose e o câncer, a lepra e
a ulceração aparecem como fenômenos secundários, residindo a
causa primária no desequilíbrio dos reflexos da vida interior.
Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células
em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação.
Por outro lado, importa reconhecer que o relaxamento da  nutrição constrange o corpo a pesados tributos de sofrimento.
Enquanto encarnados, é natural que as vidas infinitesimais
que nos constituem o veículo de existência retratem as substâncias
que ingerimos. Nesse trabalho de permuta constante adquirimos
imensa quantidade de bactérias patogênicas que, em se instalando comodamente no mundo celular, podem determinar moléstias
infecciosas de variegados caracteres, compelindo-nos a recolher,
assim, de volta, os resultados de nossa imprevidência.
Mas não é somente aí, no domínio das causas visíveis, que se
originam os processos patológicos multiformes.
Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que  sejam, geram estados enfermiços.
Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos
voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas
mentais, tumultuando o serviço das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas; acentue-se, ainda,
que  esses reflexos menos felizes, em se derramando sobre o córtex encefálico, produzem alucinações que podem variar da fobia
oculta à loucura manifesta, pelas quais os reflexos daqueles companheiros encarnados ou desencarnados, que se nos conjugam ao
modo de  proceder e de ser, nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou indiretas, conduzindo-nos a deploráveis fenômenos
de alienação mental, na obsessão comum, ainda mesmo quando
no jogo das aparências possamos aparecer como pessoas espiritualmente sadias.
Não nos esqueçamos, assim, de que apenas o sentimento reto
pode esboçar o reto pensamento, sem os quais a alma adoece pela
carência de equilíbrio interior, imprimindo no aparelho somático
os desvarios e as perturbações que lhe são conseqüentes.

Pensamento e Vida/Emmanuel/FCX