domingo, 5 de agosto de 2012

SEXO E AMOR

Na sua globalidade, o amor é sentimento vinculado ao Self enquanto que a
busca do prazer sexual está mais pertinente ao ego, responsável por todo tipo
de posse.
O sentimento de amor pode levar a uma comunhão sexual, sem que isso
lhe seja condição imprescindível. No entanto, o prazer sexual pode ser
conseguido pelo impulso meramente instintivo, sem compromisso mais
significativo com a outra pessoa, que, normalmente se sente frustrada e usada.
Os profissionais do sexo, porque perdem o componente essencial dos
estímulos, em razão do abuso de que se fazem portadores, derrapam nas
explosões eróticas, buscando recursos visuais que lhes estimulem a mente, a
fim de que a função possa responder de maneira positiva. Mecanicamente se
desincumbem da tarefa animal e violenta, tampouco satisfazendo-se,
porqüanto acreditam que estão em tarefa de aliciamento de vidas para o
comércio extravagante e nefando da venda das sensações fortes, a que se
habituaram.
O amor, como componente para a função sexual, émeigo e judicioso,
começando pela carícia do olhar que se enternece e vibra todo o corpo ante a
expectativa da comunhão renovadora.
Essa libido tormentosa, veiculada pela mídia e exposta nas lojas em forma
de artefatos, torna-se aberração que passa para exigências da estroinice,
resvalando nos abismos de outros vícios que se lhe associam.
Quando o sexo se apresenta exigente e tormentoso, o indivíduo recorre
aos expedientes emocionais da violência, da perseguição, da hediondez.
Os grandes carrascos da Humanidade, até onde se os pode entender,
eram portadores de transtornos sexuais, que procuravam dissimular,
transferindo-se para situações de relevo político, social, guerreiro, tornando-se
temerários, porque sabiam da impossibilidade de serem amados.
Quando o amor domina as paisagens do coração, mesmo existindo
quaisquer dificuldades de ordem sexual, faz-se possível superá-las, mediante a
transformação dos desejos e frustrações em solidariedade, em arte, em
construção do bem, que visam ao progresso das pessoas, assim como da
comunidade, tornando-se, portanto, irrelevantes tais questões.
O ser humano, embora vinculado ao sexo pelo atavismo da reprodução,
está fadado ao amor, que tem mais vigor do que o simples intercurso genital.
Sem dúvida, por outro lado, as grandes edificações de grandeza da
humanidade tiveram no sexo o seu élan de estímulo e de força. Não obstante,
persegue-se o sucesso, a glória efêmera, o poder para desfrutar dos prazeres
que o sexo proporciona, resvalando-se em equívoco lamentável e perturbador.
O amor à arte e à beleza igualmente inspirou Miguel Ângelo a pintar a
capela Sistina, dentre outras obras magistrais, a esculpir la Pietá e o Moisés; o
amor à ciência conduziu Pasteur à descoberta dos micróbios; o amor à verdade
levou Jesus à cruz, traçando uma rota de segurança para as criaturas humanas
de todos os tempos...
O amor é o doce enlevo que embriaga de paz os seres e os promove aos
píncaros da auto-realização, estimulando o sexo dignificado, reprodutor e calmante.
Sexo, em si mesmo, sem os condimentos do amor é impulso violento e
fugaz.