segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A BUSCA DO SENTIDO EXISTENCIAL

Existir significa ter vida, fazer parte do Universo, contribuir para a harmonia
do Cosmos.
A existência humana é uma síntese de múltiplas experiências evolutivas,
trabalhadas pelo tempo através de automatismos que se transformam em
instintos e se transmudam nas elevadas expressões do sentimento e da razão.
À medida que os automatismos biológicos se convertem em impulsos
dirigidos — ressalvados alguns que permanecerão sem a contribuição da
consciência — o ser psicológico passa a sobressair, conduzindo, de início, a
carga dos atavismos que deverão ser remanejados, diluindo aqueles de
natureza perturbadora e aprimorando aqueloutros que se transformarão em
fontes de alegria, de prazer e de paz...
Simultaneamente, a razão abandona as brumas da ignorância que a
entorpece — qual cascalho que envolve a gema preciosa — e se delineiam
objetivos e sentido existenciaL Enquanto não surge essa necessidade, o
primarismo predomina, e o ser, não obstante em estágio de humanidade,
apenas reage, sem saber agir; ambiciona sem discernir para que; agride ou
deprime-se, por desconhecer o valor da luta saudável, sempre desafiadora
para a conquista do progresso. Somente então, surgem as interrogações que
fazem parte da busca do sentido existenciaL a) para que viver? b) por que
lutar? c) como desenvolver essa capacidade de perseverar até alcançar a
meta?
A vida é inerente a tudo, e tentar explicar-lhe a causa, o motivo do Primeiro
Movimento que lhe deu origem, é perder-se em elucubrações filosóficas e
religiosas desnecessárias. Aceitar-lhe a realidade sem discussão, que se
apresenta como fuga psicológica para o seu enfrentamento, é o primeiro passo.
Vive-se, e isso é incontestável. Negá-lo, significa anular-se, anestesiar a
capacidade de pensar.
Viver da melhor forma possível é o desafio imediato. Viver bem —
desfrutando dos recursos que a Natureza e a inteligência proporcionam — para
bem viver —realizações internas com o desenvolvimento ético adequado, que
proporcionam bem-estar interior —, eis a razão por que lutar.
Tal conquista sempre se consegue mediante o esforço da não aceitação
comodista, partindo-se para a luta de crescimento pessoal e de transformação
ambiental, que facultam a existência feliz.
O próprio esforço, na mínima realização vitoriosa, contribui para o
favorecimento da capacidade de se prosseguir conquistando as metas que, ao
serem alcançadas, oferecem outras novas, que podem proporcionar melhores
condições de plenitude e de integração na Consciência Cósmica.
Cada etapa vencida, portanto, mais capacita o ser para as porvindouras
que lhe cumpre conquistar. Experimentada uma vitória, surgem motivações
especiais para o prosseguimento das lutas que acenam conquistas mais
significativas, particularmente no íntimo, quando o ser psicológico desabrocha
e predomina sobre o conjunto fisiológico.