quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O ADOLESCENTE E A RELIGIÃO

A religião desempenha um papel importante na formação moral e cultural
do adolescente, por propiciar-lhe a visão da imortalidade, dilatando-lhe a
compreensão em torno da realidade da vida e dos seus objetivos essenciais.
A religião é portadora de significativa contribuição ética e espiritual no
desenvolvimento do caráter e na afirmação da personalidade do jovem em
desenvolvimento.
Através dos seus postulados básicos, o educando nela haure a
consciência de si e o começo do amadurecimento dos valores significativos,
que se lhe incorporarão em definitivo, estabelecendo-lhe paradigmas de
comportamento para toda a existência. Mesmo quando, na fase adulta, por
esta ou aquela razão, a religião é contestada, ou colocada em plano

secundário, ou mesmo combatida, nos alicerces do inconsciente permanecem
os seus paradigmas que, de uma ou outra forma, conduzem o indivíduo nos
momentos de decisão significativa ou quando necessita mudar de rumo,
ressurgindo informações arquivadas que contribuirão para a decisão mais feliz.
O adolescente traz em si o arquétipo religioso, que remanesce das
experiências de outras reencarnações, o que o leva à busca de Deus e da
imortalidade do Espírito, de forma que, reencontrando a proposta da fé,
assimila-a com facilidade, no início, graças aos seus símbolos, mitos e lendas,
do agrado da vida infantil, depois, através das transformações dos mesmos,
que passam pelo crivo da razão e se vão incorporar ao seu cotidiano,
auxiliando na distinção do que deve realizar, assim como daquilo que não lhe é
lícito fazer, por ferir os direitos do seu próximo, da vida e a Paternidade de
Deus.
É relevante o papel da religião na individuação do ser, que não permite a
dissociação de valores morais, culturais e espirituais, reunindo-os em um todo
harmônico que lhe proporciona a plenitude.
Na adolescência, os ideais estão em desabrochamento, abrindo campo
para os postulados religiosos que, bem direcionados, norteiam com segurança
os passos juvenis, poupando o iniciante nas experiências humanas a muitos
dissabores e insucessos nas diferentes áreas do comportamento, incluindo
aquele de natureza sexual.
Não será por intermédio da castração psicológica, da proibição, mas do
esclarecimento quanto aos valores reais e aos aparentes, aos significados do
prazer imediato e à felicidade legítima, futura, predispondo-o à disciplina dos
desejos, ao equilíbrio da conduta, que resultarão no bem-estar, na alegria
espontânea sem condimentos de sensualidade e de servidão aos vícios.
Simultaneamente, a proposta religiosa esclarece que o ser é portador de uma
destinação superior, que lhe cumpre enfrentar, movimentando os recursos que
lhe jazem latentes e convocando-o para o auto-aprimoramento.
Quando o adolescente não encontra os paradigmas da religião, torna-se
amargo e inapto para enfrentar desafios, fugindo com facilidade para a rebeldia
ou o sarcasmo, portas de acesso à delinqüência e ao desespero.
Não descartamos os males produzidos pela intolerância religiosa, pelo
fanatismo de alguns dos seus membros, sacerdotes e pastores, mas essas são
falhas humanas e não da doutrina em si mesma. A interpretação dos
conteúdos religiosos sofre os conflitos e dramas pessoais daqueles que os
expõem, mas, no seu âmago, todos preconizam o amor, a solidariedade, o
perdão, a humildade, a transformação moral para melhor, a caridade, que ficam
à margem quando as paixões humanas tomam posse das situações de relevo
e comando, fazendo desses indivíduos condutores espirituais, que pensam
pelos fiéis, conduzindo—os com a dureza dos seus estados neuróticos e
frustrações Lamentáveis, tornando a religião uma caricatura perniciosa dela
mesma ou um instrumento de controle da conduta e da personalidade dos seus
membros.
A religião objetiva, essencialmente, conduzir ou reencaminhar a criatura
ao Criador, auxiliando-a a reconhecer a sua procedência divina, que ficou
separada pela rebeldia da própria conduta, graças ao livre-arbítrio, à opção de
ser feliz conforme o seu padrão imediatista, vinculado ao instinto, em
detrimento da sublimação dos desejos, que permitiriam alcançar a paz de
consciência.
 Direcionada ao adolescente, a religião marcha com ele pelos labirintos
das perquirições e deve estar aberta a discutir todas as colocações que o
perturbam ou o despertam, de tal forma que se lhe torne auxiliar valiosa para
as decisões livres que deve assumir, de maneira a estar em paz interior.
Nas frustrações naturais, que ocorrem durante o desenvolvimento
adolescente, a religião assume papel relevante, explicando a necessidade do
enfrentamento com os desafios, que nem sempre ocorrem com sucesso, ao
mesmo tempo explicando que a dificuldade de hoje se torna vitória de amanhã.
Felizmente, hoje, a visão religiosa impõe que a conduta conformista deve ceder
lugar ao comportamento espiritual combativo, mediante o qual o fiel se resolve
por assumir atitudes coerentes diante das ocorrências, ao invés de as aceitar
sem discussão, o que sempre gerou conflito na personalidade.
Nesse sentido, o Espiritismo, explicando a anterioridade do Espírito ao
corpo, a sua sobrevivência à morte física, o mecanismo das reencarnações,
demonstra que a luta é o clima ideal da vida e ninguém cresce sem a enfrentar.
A resignação não significa aceitar o insucesso, o desar de maneira passiva,
porém compreendê-los, investindo valores para superá-los na próxima
oportunidade. A realização, não conseguida neste momento, logo mais será
realizada, desde que não se demore na aceitação mórbida da ocorrência
infeliz.
Estimulando os potenciais internos do ser, conduz às possibilidades que
podem ser aplicadas com coragem, programando e reprogramando atividades
que lhe ensejem a felicidade, que é a meta da existência terrena.
A sua proposta de salvação não se restringe à vida após a vida, mas à
liberação dos conflitos atuais, deixando de lado o caráter redentorista de muitas
doutrinas do passado, para
despertar no jovem e em todas as pessoas o interesse pela auto-superação
dos atavismos e das paixões que os mantêm encarcerados nos desajustes da
emoção.
A religião espírita dinamiza o interesse humano pelo seu autoaprimoramento,
trabalhando-lhe o mundo íntimo, para que, consciente de si,
eleve-se aos patamares superiores da existência, sem abandonar o mundo no
qual se encontra em processo de renovação.
Os grandes quesitos que aturdem o pensamento são eqüacionados de
maneira simples, através da sua filosofia otimista, impulsionando o adepto para
a frente, sem saudades do passado, sem tormentos pelo futuro.
Adentrando-se pelos postulados da religião espírita, o adolescente dispõe
de um arsenal valioso de informações para uma crença racional, que enfrenta o
materialismo na sua estrutura, usando os mesmos argumentos que a ciência
pode oferecer, ciência que, por sua vez, é, também, a Doutrina Espírita.