quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

A gravidez na adolescência é um dos grandes problemas-desafio da
atualidade, em razão do número crescente de jovens despreparadas para a
maternidade, que se deparam em situação deveras perturbadora, gerando
grave comprometimento social.
Dominados pela curiosidade e espicaçados por uma bem urdida
estimulação precoce, que faculta a promiscuidade dos relacionamentos, os
adolescentes facilmente se entregam às experiências sexuais sem nenhuma
preparação psicológica, menos ainda responsabilidade de natureza moral.
Desconhecendo os fatores propiciatórios da fecundação e sem qualquer
orientação cultural em torno do intercâmbio sexual, permitem-se o intercurso
dessa natureza com sofreguidão e sob conflitos, tendo de enfrentar o gravame
da concepção fetal.
Ao darem-se conta da ocorrência inesperada, recorrem a expedientes
perigosos, a pessoas inescrupulosas, quase sempre interessadas na

exploração da ignorância, e culminam na execução do crime covarde do aborto
clandestino, com todos os riscos decorrentes dessa atitude cruel.
Iniciada a malfadada fuga, novas ocorrências criminosas têm lugar,
porque o adolescente perde a identidade moral e, aturdido, deixa-se arrastar a
novos tentames, cujos resultados são sempre infelizes. Quando isso não
ocorre, porque destituídos do sentimento de amor, que os poderia unir, são as
futuras mães deixadas a mercê da família ou da própria sorte, trazendo ao
mundo os desamparados rebentos que experimentarão a orfandade, não
obstante os pais desorientados permaneçam vivos.
Despertando lentamente para os sentimentos mais graves, e dando-se
conta da alucinação juvenil, agora irreversível, essas jovens imaturas e
frustradas atiram-se nos resvaladouros do descalabro, perdendo o senso da
dignidade feminina e tornando-se objetos de fácil posse, quando não recorrem
às fugas desordenadas pelas drogas químicas, pelo álcool, pela prostituição
destruidora.
Urgem atitudes que possam despertar os adolescentes para a utilização
do sexo com responsabilidade, na idade adequada, quando houver equilíbrio
fisicopsíquico, amadurecimento emocional com a competente dose de
compreensão dos efeitos que decorrem das uniões dessa natureza.
O sexo é um órgão com função específica e portador de exigências
graves na área dos deveres, que aparecem como conseqüência do seu uso.
Quando utilizado com insensatez, sem o contributo da razão, por desejos
infrenes, ao envolver os parceiros estabelece um vínculo emocional que não
deve ser rompido levianamente. Muitas tragédias dos sentimentos têm início
nas rupturas abruptas da afetividade despertada pelo interesse sexual. Pode
uma das pessoas não estar realmente interessada na outra, não obstante a
recíproca pode não ser verdadeira, e, ao sentir-se a sós, aquele que se
encontra abandonado passa a experimentar tormentos e conflitos muito
perturbadores, quando não se rebela contra a função sexual, gerando
problemas mais profundos, que irão comprometer-lhe toda a existência, em
razão da leviandade de quem se foi, indiferente pelo destino de quem ficou...
Na adolescência, porque os interesses giram em torno da identidade, da
sexuaLidade, da afirmação da personalidade, além de outros, a atração entre
os jovens é inevitável, produzindo grande empatia e estímulos que devem ser
cultivados, porqüanto isso faz parte da formação do seu conceito de sociedade
e de auto-realização. Todavia, éindispensável insistir quanto aos cuidados que
devem ser tomados pelos moços em razão da precipitação em assumir atitudes
e compromissos para os quais não estão preparados, tornando-se fáceis
vítimas da imprudência e do desconhecimento.
Sob outro aspecto, porque os sentimentos ainda não estão maduros e o
desconhecimento da função sexual é total, o ato não corresponde à expectativa
ansiosa do adolescente, que se sente defraudado, receando novas
experiências, ou precipitando-se em outras tantas a fim de descobrir os
encantamentos a que as demais pessoas se referem com entusiasmo e que
ele não vivenciou.
A educação sexual, portanto, tem regime de grande urgência, ao lado de
um programa de dignificação da função genésica muito barateada por
personagens atormentadas, que se tornam líderes da massa juvenil, e que,
fugindo dos próprios conflitos perturbadores, estimulam-lhes o uso
desordenado. Outras vezes, mediante caricaturas perversas, procuram influir
na conduta juvenil, massificando todos no mesmo nível de comportamento
estranho e inquietador, deixando-os insaciáveis e cínicos, enquanto afirmam
que a única função da vida é o prazer imediato, sendo o sexo a válvula de
escapamento para a insegurança, a insatisfação emocional e o fracasso de que
se sentem possuídos, mesmo quando se sentam nos tronos dos triunfos
ilusórios que a mídia lhes proporciona, sem os realizarem interiormente.
A maternidade é o momento superior de dignificação da mulher, quando
todos os valores do sentimento e da razão se conjugam para o
engrandecimento da vida. Faltando, àadolescente, experiência e conhecimento
dos valores existenciais durante a gravidez, o período é atormentado, sendo
transmitido ao feto inquietação e desassossego, quando não a revolta pela
concepção indesejada.
Raramente acontece o fenômeno da compenetração maternal, quando se
trata de Espírito afim, que volve ao regaço da afetividade de maneira
inesperada, recompondo o passado de lutas e desares, com que ambos se
encontram nos caminhos do amor: mãe e filho.
A maternidade na adolescência é dos mais tormentosos fenômenos que o
sexo irresponsável produz, face às conseqüências que gera.
Orientar o adolescente quanto aos valores do sexo, ante a vida e o amor,
é dever que todos os indivíduos se devem impor, auxiliando a mentalidade
juvenil a encontrar o rumo de segurança para a felicidade, sem as cargas
aflitivas provindas da leviandade do período anterior.