quarta-feira, 7 de novembro de 2012

SUCESSO E FRACASSO

O homem tem necessidade de enfrentar desafios. São eles que o
impulsionam ao crescimento, ao desenvolvimento de suas aptidões e
potencialidades, sem o que permaneceria sem objetivo, relegando-o ao letargo,
à negação da própria mecânica da vida que se expressa como evolução.
A medida que se lhe vai operando o amadurecimento psicológico, mais
amplas perspectivas surgem nas suas paisagens mentais em forma de aspirações
que se transformam em lutas motivadoras da existência. Cada etapa
vencida faculta novos rumos a percorrer e o seu transcurso é realizado a
esforço que o ideal do sucesso propõe. A princípio são metas próximas, não
obstante se possam ambicionar outras mais expressivas, mesmo que remotas,
porém prenunciadoras de vitórias imediatas.
O que está próximo e fácil não constitui grande desafio nem forte

motivação para ser conseguido, pois sucede com mínimo esforço, deixando,
quando logrado, um certo travo de frustração.
Enquanto se acalentam ambições nos padrões da realidade do possível,
se vive motivado para prosseguir. O seu desaparecimento faz-se morte
existencial. Dessas objetivações realizáveis surgem projetos mais audaciosos,
considerados então impossíveis, que a tenacidade e a inteligência ao esforço
conseguem alcançar.
A conquista da roda inicialmente mudou a fase do planeta. A fundição dos
metais, a eletricidade e suas inumeráveis aplicações alteraram completamente
o mundo terrestre, que deixou de ser conforme se apresentava para ressurgir
com aspecto totalmente novo. Os desafios do micro e do macrocosmo, que
estão sendo vencidos, alteram, com os recursos avançados da ciência e da
tecnologia, a cultura, a civilização e a vida nas suas diversas expressões.
Certamente, a precipitação emocional, as graves patologias orgânicas,
psicológicas e psíquicas, algumas resultado dos atavismos e das fixações
ancestrais, não permitiram, por enquanto, que se instale na sociedade a
felicidade, nem no próprio indivíduo a harmonia, o prazer não agressivo nem
extravagante. A morbidez que campeia tem-nos dificultado.
Apesar dos sucessos conseguidos em muitos setores, outros permanecem
obscuros, aguardando. Pas505 audaciosos já foram dados, favorecendo o
bem-estar e ampliando os horizontes existenciais.
Lenta, mas seguramente, o homem sai da caverna, tem sucesso ao
diminuir as sombras por onde transita e desenha um radioso futuro. Os
vestígios de barbarismo, o predomínio da natureza animal, a perseverança da
apatia, vão sendo substituídos pelos anelos de liberdade, pelos ideais de autoiluminação,
de progresso, de amor, que se lhe desdobram no imo como um
hino de alegria, uma saudação estuante de júbilo, um êxito em relação às
condições hostis e às tendências perturbadoras.
Saturado do habitual aspira pelo inusitado. Apaixonado pelo bom, pelo
nobre, pelo belo liberta-se, a esforço que supera a vulgaridade, o tédio, o ego
dominador. Harmoniza o Self com o Cosmos e busca integração no conjunto
geral, sem perda de identidade, nem de individualidade.
O sucesso é sempre o prêmio para quem luta e aspira por ascensão,
poder, destaque. Não se tratam de buscas egóicas, mas de instrumentos de
uso para conseguir a vigência dos ideais.
O poder é ferramenta neutra. A aplicação que lhe é dada responde pelos
efeitos que produz. Proporciona os meios hábeis para as realizações, abrindo
portas e ensanchas, a fim de que a vida se torne mais significativa.
Ter, possuir para manter-se com dignidade, em segurança econômica,
social, emocional, é um sentido existencial através do qual se harmonizam
algumas necessidades psicológicas.
Qualquer tipo de carência aflige, e quando se faz pronunciada,
expressando-se em um meio social ou em uma situação econômica
angustiante leva a crises desestruturadoras do comportamento.
O sucesso significativo, porém, se expressa como a atitude de equilíbrio
entre o conseguir e o perder. Nem sempre todas as respostas da luta são
positivas, de triunfo. O fracasso, desse modo, faz parte integrante do
comportamento da busca. Não se deter, quando por ele visitado, retirar a lição
que encerra, analisar os fatores que o produziram, a fim de que não se repita, e
recomeçar, quantas vezes se faça necessário, eis a forma de torná-lo um
sucesso verdadeiro.
A rebelião ante a sua ocorrência, a desestruturação íntima, a perda do
sentido da luta, além de constituírem prejuízo emocional, representam fracasso
real. O insucesso de um cometimento pode tornar-se experiência que
predispõe ao triunfo próximo.
Na estratégia bélica, vencer a guerra é a meta, e não somente ganhar
batalhas. O importante e essencial, no entanto, é sair vitorioso na luta final,
aquela que define o combate.
O homem de sucesso ou de fracasso exterior deve vigiar o comportamento
íntimo para detectar como se encontra realmente, e remanejar a situação.
Produzir a harmonia entre o eu superior e o ego é que realmente
representa sucesso ideal.