O sentimento de pena de si mesmo é uma das formas mais sutis de vitimização. Muitas vezes surge camuflado por dores antigas e feridas não curadas, tornando-se uma doença da alma — alimentada pelo Ego, que vive de ilusão e drama.
O Ego se nutre da mágoa e da repetição das narrativas de sofrimento. Sempre que nos sentimos rejeitados, humilhados ou abandonados, ele cresce e cria uma falsa armadura de proteção. Essa “defesa” nos afasta da verdade, da vida real e da conexão com o Divino.
Passamos, então, a criar histórias mentais baseadas na dor, reforçando o papel da vítima. E assim, sem perceber, ficamos presos em um ciclo de autopiedade, solidão e estagnação espiritual.
Mas o sofrimento não é um castigo. Na visão espírita, é uma etapa da jornada evolutiva. A dor é uma professora. Tudo o que vivemos — por mais difícil que seja — é permitido por Deus como oportunidade de aprendizado e crescimento.
O problema surge quando o Ego transforma essa dor em espetáculo. Ele quer fazer de você o protagonista da tragédia, pois assim sente que “existe”. Mas será que você realmente quer se libertar do sofrimento, ou apenas continuar sendo o centro dele?
A verdadeira cura começa quando deixamos de nos identificar com a dor. Quando ela vier, pergunte: “O que posso aprender com isso?” Não dramatize, apenas observe e libere.
A libertação surge quando abandonamos a identidade moldada pela dor e retornamos ao nosso Eu espiritual — eterno, sereno e divinamente guiado.

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