Sou filha de um tempo simples

 


Sou filha de um tempo simples, em que a conta de telefone custava caro, e a gente escrevia cartas enormes para os amigos nas férias.

As fotografias eram reveladas depois que o filme de 36 poses acabava, e as músicas eram gravadas em fitas, que a gente presenteava quem amava.

Tudo era mais difícil, mais demorado, mais suado... mas a gente era dono da própria situação.

Se tinha que resolver um assunto, era olho no olho, cara a cara.

Se queria dar um tempo, vestia um pijama e esquecia.

Era preciso mais paciência com as demoras, mas havia uma liberdade, uma possibilidade de não ser encontrado, uma alegria no anonimato e um respeito pela própria ordem interna que recompensavam todo o resto!

Fabíola Simões


Entre Agulhas e Linhas.

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