A filha mais nova foi aquela que pediu ajuda, mas não foi ouvida.
Falou baixo demais para um mundo acostumado a gritar.
Chorou em silêncio, aprendeu a sorrir quando doía, e descobriu cedo que nem sempre o amor protege, às vezes, ele fere sem perceber.
Com o tempo, foi se calando.
Cada pedido ignorado virou uma muralha invisível.
E o que era apenas tristeza foi virando costume: o costume de não incomodar, de não esperar, de fingir que estava tudo bem.
Ninguém percebeu quando a luz dela começou a apagar, porque ela ainda iluminava os outros.
Era assim: doava o pouco que tinha para não ser esquecida.
Mas o corpo cansa de suportar sozinho o que o coração não aguenta mais.
E quando o silêncio toma forma, é sinal de que algo dentro da alma desistiu de ser ouvido.
Não era drama.
Era dor.
E a dor, quando não encontra escuta, procura saída, às vezes na solidão, às vezes no abandono, às vezes no próprio fim.
Por isso, nunca ignore o pedido de quem parece forte demais.
Às vezes, o sorriso é só o disfarce do esgotamento.
E aquele que você chama de exagerado, pode estar lutando pela última vez para ser notado.
O amor verdadeiro não julga, não questiona, não se apressa em aconselhar.
Ele apenas fica, presente, atento, silencioso, humano.

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