Meu irmão, minha irmã, não aprisiones o coração no cárcere do ressentimento """"

 

Meu irmão, minha irmã, não aprisiones o coração no cárcere do ressentimento. A dor que o outro te causou é real, mas o veneno que permanece em ti nasce do apego à ofensa. Quem te decepciona, quase sempre, não te fere por força, mas por fraqueza. É um companheiro vencido pelos próprios conflitos, guerreando contra sombras internas, e por isso derrama sobre os demais o que ainda não conseguiu curar em si.

Recorda que a alma não adoece apenas no corpo. Assim como a febre revela desordem, a mágoa persistente denuncia desarmonia do espírito. O perdão entretanto não é esquecimento ingênuo, é terapêutica. Ele não justifica o erro, ele impede que o erro se instale em tua intimidade. Perdoar é libertar-se do vínculo que te prende ao gesto alheio, é devolver a Deus a justiça que não te compete e retomar o governo sobre os próprios sentimentos.

Se alguém te frustrou, ora por ele. A oração, quando sincera, ilumina a mente e amacia o peito, e também alcança o necessitado. Não raro, aquele que te machuca é um enfermo moral pedindo socorro sem saber pedir. Ampara com prudência, estabelece limites com serenidade, mas não alimentes a amargura. A amargura corrói, obscurece, afasta a inspiração dos bons espíritos.

A caridade começa no pensamento. Escolhe, a cada dia, não repetir a cena, não cultivar o diálogo interno com a ofensa. Planta compreensão, e colherás paz. Quando o coração se faz altar, o mal não encontra morada, e a decepção se transforma em lição, não em prisão.

Lembra ainda que a lei de causa e efeito educa com paciência. Hoje, talvez sejas tu o ofendido, amanhã poderás ser o que erra. Por isso, a misericórdia que ofereces prepara teu próprio caminho. Acolhe a experiência como convite à reformação íntima, e pede a Deus que te ensine a amar sem exigir perfeição dos homens.

Diário Espírita



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