Ninguém retorna à Terra como pedra ou árvore. A vida é escola abençoada em ascensão contínua. Somos viajores do tempo de Deus, renascendo tantas vezes quantas forem necessárias para aprender a amar melhor. Já experimentamos vestes diversas para o aperfeiçoamento da alma: a fragilidade e a força, o corpo magro e o robusto, a estatura pequena e a elevada, a experiência no feminino e no masculino. Tudo se organiza em lições. Nada regride. A Lei Divina não marcha para trás.
No reino animal, a sabedoria do Pai também conduz passo a passo. O cão não volta como elefante, nem o pássaro retorna como peixinho por capricho da sorte. Antes de cada forma, houve outras formas, e a vida, paciente, educa sem violência. Os animais não vivem a erraticidade do jeito que a humanidade a experimenta. Findo o corpo, a centelha vital é atraída, por afinidade, a novo ninho de aprendizagem, quase sempre com breve intervalo, como quem aceita sem demora o convite para outra aula.
A palavra dos Benfeitores é clara: o animal caminha para a condição humana, como o homem caminha para o anjo. Há em cada criatura um princípio inteligente que desperta lentamente, como crisálida que se move rumo ao céu. No limite de suas possibilidades, eles sentem, recordam, associam, aprendem. Pela convivência com o homem, ampliam o campo da sensibilidade e se aproximam da compreensão.
Os companheiros de estimação são irmãos mais novos. Pedem-nos ternura, respeito, paciência. Quando os amamos com sincera responsabilidade, o Céu, que tudo observa, permite consolações que aliviam a saudade e fortalece nossa gratidão. Ferir um animal é ferir a obra de Deus em nós mesmos. Quem ainda agride não aprendeu a lei do amor. Guardemos, pois, o coração manso.
Acarinhemos sem possessividade, protejamos sem exagero, eduquemos sem gritar. Em cada gesto de cuidado, avançamos com eles. Em cada renascimento, a vida nos convida a subir mais um degrau, até que a consciência, enfim liberta, descubra na fraternidade a alegria maior da criação.

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