“Por quê comigo, meu Deus?” """"


 Ela perdeu o último ônibus…

e achou que Deus tinha abandonado ela.

Era tarde.

Frio.

Sem dinheiro.

Se aquele ônibus partisse, ela dormiria na rua.

Correu o que pôde.

Pulmão queimando.

Bolsa batendo no corpo.

Quando colocou o pé no degrau…

duas mãos fortes agarraram seus ombros e a puxaram para trás com violência.

Ela caiu sentada na calçada.

“Que isso?!”, gritou, em pânico.

O ônibus fechou a porta.

Arrancou.

Foi embora.

Ela chorou de ódio.

De humilhação.

De desespero.

“Por quê comigo, meu Deus?”

Quinze minutos depois, uma sirene cortou a noite.

Duas quadras à frente, o ônibus tinha sido assaltado.

Violento.

Gente ferida.

Gritos.

Caos.

Ela ficou paralisada.

No dia seguinte, voltou ao local.

O comerciante da esquina comentou:

 “Moça, você teve sorte…”

Ela explicou o que sentiu.

As mãos.

O empurrão.

 “Mas… não tinha ninguém ali”, ele respondeu.

Mostrou a gravação da câmera.

Ela assistiu.

O ônibus.

Ela correndo.

Ela subindo.

E então… caindo sozinha.

Ninguém atrás.

Ninguém tocando.

Só ela… e o vazio.

Algumas proteções não são suaves.

Algumas vêm como empurrão.

Como perda.

Como frustração.

Nem toda porta fechada é castigo.

Às vezes, é livramento.

E nem sempre Deus avisa com palavras.

Às vezes…

Ele puxa você pra trás.


Chico - Cartas de Paz e Consolação

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