Chico Xavier compreendia que a felicidade não costuma fazer alarde. =====

 

Chico Xavier compreendia que a felicidade não costuma fazer alarde. Ela não chega sempre como conquista grandiosa, nem como um espetáculo que interrompe a vida. Muitas vezes, ela entra devagar, quase sem ruído, quando o coração desaperta, quando os olhos deixam de procurar defeitos com tanta pressa, quando a alma reaprende a reconhecer a beleza simples que mora no bem recebido.

Abrir o coração ao amor é mais do que sentir ternura. É escolher uma postura diante da existência. É não endurecer por causa das decepções. É não permitir que a dor antiga feche por dentro aquilo que Deus criou para florescer. Amar, nesse sentido mais profundo, é conservar viva a capacidade de se comover, de agradecer, de acolher, de não transformar o próprio peito num lugar árido.

Também há sabedoria em abrir os olhos para as qualidades dos outros. O espírito amadurece quando deixa de se alimentar apenas da falha alheia e passa a enxergar a luz que cada pessoa ainda consegue oferecer. Isso não é ingenuidade. É elevação. É uma forma bonita de não deixar a alma adoecer de amargura. Quem aprende a ver o bem com sinceridade descobre que a vida se torna mais leve, mais humana, mais respirável.

E há ainda o gesto pequeno, quase esquecido por tanta gente: sorrir para quem nos faz o bem. Um sorriso verdadeiro é uma forma de gratidão sem discurso. É a alma dizendo, em silêncio: eu reconheço o amor que me alcança. Eu percebo o cuidado. Eu não tomo como costume aquilo que é presente.

Talvez a chave da felicidade esteja mesmo nessas delicadezas que o mundo apressado já não valoriza. Um coração que não se fecha. Um olhar que sabe admirar. Um afeto que sabe agradecer. No fim, a felicidade raramente mora no excesso. Ela costuma morar nesses instantes em que o espírito, sem perceber, volta a caber em paz dentro de si.


Diário Espírita


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