Aquela imagem tornou-se um dos maiores símbolos de coragem da história. |||

 

Quatro meses depois de despencar cerca de 300 metros dentro de um elevador, Betty Lou Oliver voltou ao Empire State Building. Ainda precisava usar muletas, mas caminhou até uma das cabines e colocou novamente as mãos sobre os controles.**

Aquela imagem tornou-se um dos maiores símbolos de coragem da história.

Poucos meses antes, ela havia sobrevivido ao que continua sendo reconhecido como a **queda mais longa já sobrevivida dentro de um elevador**.

O dia era **28 de julho de 1945**.

Betty Lou Oliver tinha acabado de completar **20 anos** e trabalhava como operadora de elevadores no Empire State Building, em Nova York.

Aquele seria seu último dia de trabalho.

Faltavam apenas cerca de duas horas para encerrar o expediente.

Seu marido, **Oscar Oliver**, estava retornando após quase dois anos servindo na Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.

Betty havia pedido demissão porque os dois planejavam voltar para **Fort Smith, Arkansas**, onde finalmente começariam a vida juntos depois de tanto tempo separados pela guerra.

Naquela manhã, ela havia comprado roupas novas para recebê-lo e, ao terminar o turno, encontraria uma parente no famoso **Russian Tea Room**.

Enquanto isso, uma densa neblina cobria Manhattan.

Na mesma manhã, um bombardeiro **B-25 Mitchell** decolou de Massachusetts com destino ao aeroporto de Newark.

O piloto, o tenente-coronel **William Franklin Smith Jr.**, foi alertado diversas vezes sobre a péssima visibilidade.

Da torre de controle de LaGuardia informaram que sequer conseguiam enxergar o topo do Empire State Building.

Mesmo assim, ele decidiu prosseguir.

Às **9h49**, o avião surgiu voando perigosamente baixo entre os arranha-céus.

Depois de evitar alguns edifícios, colidiu violentamente contra a face norte do Empire State Building, entre os **78º e o 80º andares**.

O combustível explodiu imediatamente.

As chamas atravessaram escritórios inteiros, enquanto destroços eram lançados em todas as direções.

Um dos motores atravessou o prédio e caiu sobre um edifício vizinho.

Outro motor, juntamente com parte do trem de pouso, despencou dentro do poço de um elevador.

Ao todo, **14 pessoas morreram**: os três ocupantes da aeronave e onze pessoas que trabalhavam no edifício.

Betty estava muito próxima da área do impacto.

Os relatos sobre os segundos seguintes divergem.

Alguns afirmam que ela foi retirada de um elevador pelos socorristas e colocada em outra cabine para ser levada ao térreo.

Anos depois, Betty disse que jamais saiu do próprio elevador.

Independentemente da versão correta, o resultado foi o mesmo.

Os **seis cabos de aço** que sustentavam a cabine haviam sido rompidos.

O sistema automático de segurança também foi destruído.

O elevador começou a cair.

Betty tentou usar os controles.

Nada funcionava.

Pegou o telefone interno.

A linha estava morta.

À medida que a velocidade aumentava, ela se apoiou contra as paredes da cabine para evitar ser arremessada durante a queda.

O elevador despencou aproximadamente **300 metros**, até o subsolo do edifício.

Nenhum sistema havia sido projetado para suportar um impacto daquela magnitude.

Ainda assim, uma combinação extraordinária de fatores provavelmente salvou sua vida.

Grande parte dos cabos rompidos caiu antes da cabine e acumulou-se em enormes espirais metálicas no fundo do poço, funcionando como uma espécie de amortecedor improvisado.

Alguns engenheiros também acreditam que o ar comprimido sob o elevador ajudou a reduzir parcialmente a velocidade da queda.

Além disso, havia no fundo do poço um amortecedor hidráulico de emergência.

Quando a cabine o atingiu, a estrutura foi completamente destruída.

Mas uma pequena área permaneceu relativamente preservada.

Era exatamente onde Betty estava.

Os socorristas encontraram apenas um amontoado de metal retorcido.

Entre eles estava **Donald Malony**, um aprendiz da Guarda Costeira de apenas **17 anos**, que entrou nos escombros levando medicamentos e materiais de primeiros socorros para ajudar os sobreviventes.

Betty foi retirada com queimaduras e diversas fraturas no pescoço, costas, pelve e pernas.

Permaneceu cerca de **quatro meses** internada no Hospital Bellevue.

Mesmo enfrentando uma longa recuperação, chamou a atenção dos médicos pelo bom humor constante.

Passou a ser conhecida pelos funcionários como **"a garota da luz do sol"**.

Quando recebeu alta, ainda precisava de muletas, suportes ortopédicos e, às vezes, de uma cadeira de rodas.

Antes de voltar definitivamente para Arkansas ao lado do marido, tomou uma decisão surpreendente.

Retornou ao Empire State Building.

Uma fotografia feita em dezembro de **1945** mostra Betty novamente diante dos controles de um elevador.

Era como se quisesse provar que aquele acidente jamais definiria o restante de sua vida.

Ela e Oscar reconstruíram a família, tiveram **três filhos** e viveram longe dos holofotes.

Betty recusou transformar sua impressionante sobrevivência em fama.

Faleceu em **1999**, aos **74 anos**.

Sua queda continua registrada como a mais longa da história sobrevivida dentro de um elevador.

Mas talvez seu maior ato de coragem não tenha sido sobreviver aos quase 300 metros de queda.

Foi voltar ao mesmo lugar meses depois, colocar novamente as mãos nos controles e mostrar que o medo não teria a última palavra.

**— Estudos Históricos**

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