Quando Robert Redford chegou ao set de Butch Cassidy and the Sundance Kid, em 1969, não fazia ideia de que estava prestes a construir um vínculo para a vida toda com Paul Newman.
O estúdio havia hesitado em escolhê-lo, preferindo uma estrela mais conhecida. Mas o diretor George Roy Hill lutou por ele.
Essa decisão marcou o início de uma das amizades mais marcantes de Hollywood.
Desde a primeira cena juntos, algo aconteceu.
Os dois compartilhavam uma aversão às pretensões de Hollywood, um senso de humor parecido e uma intensidade tranquila que não precisava ser explicada.
A amizade fora das telas refletia exatamente a química que aparecia nelas.
Redford contou mais tarde que, certa vez, Newman encheu seu carro de sardinhas durante as filmagens, deixando um cheiro impossível de esquecer.
Em resposta, Redford armou a porta do trailer de Newman para cair ao ser aberta.
Não eram as brincadeiras em si —
eram as risadas e o espírito por trás delas que construíram algo duradouro.
Em uma entrevista de 2023 ao programa CBS Sunday Morning, Redford disse:
“Paul tinha uma leveza contagiante. Ele tornava tudo mais fácil. Nunca tentava ser mais do que era, e eu confiava nisso.”
O vínculo se fortaleceu ainda mais em The Sting.
Eles quase não precisavam ensaiar. O ritmo entre os dois era natural — às vezes até surpreendente para eles mesmos.
Redford lembrava de um dia em que Newman se inclinou e disse:
“Talvez a gente devesse parar enquanto está ganhando. Está fácil demais.”
Por trás das risadas, havia uma grande exigência artística e um respeito profundo.
Newman frequentemente ficava após as gravações — não por obrigação, mas para ajudar Redford a melhorar uma cena.
Fora do trabalho, o apoio entre eles era discreto e constante.
Quando o filho de Redford morreu, Newman enviou uma mensagem pessoal e o visitou em particular.
Quando Newman criou o Hole in the Wall Gang Camp, em 1988, Redford contribuiu generosamente — sem alarde.
Nunca foi sobre aparência.
Era sobre estar presente.
Em uma conversa em 2023 para a Turner Classic Movies, Redford falou sobre a ausência do amigo:
“Ainda tem uma parte do meu dia que, às vezes, espera um telefonema do Paul. Ele ligava sem avisar e dizia alguma bobagem. Eu ria… e pronto. Esse tipo de energia não se esquece.”
Eles chegaram a considerar um terceiro filme juntos.
Newman enviou um roteiro com um bilhete:
“Sentimental demais. Não diga que não te avisei.”
Redford ainda guarda isso.
Quando Newman morreu, em 2008, Redford fez uma homenagem pública breve.
Em privado, plantou um pinheiro azul em seu rancho de Sundance e o chamou de Paul.
“Ele cresce mais que todos os outros ao redor. Claro que cresce”, disse em uma entrevista de 2022.
A relação entre os dois nunca dependeu de prêmios ou tempo de tela.
Ela se sustentava em algo mais silencioso —
na compreensão sem palavras, no conforto do silêncio, em uma amizade que só se fortalecia com o tempo.
Newman disse certa vez:
“Com o Bob, eu podia baixar a guarda. Sem atuação. Só verdade.”
Redford contou, em 2021, que às vezes assiste novamente Butch Cassidy and the Sundance Kid apenas para se sentir próximo de Newman outra vez.
“Não é do filme que sinto falta. É de quem estava ao meu lado.”
Em um dos cadernos de Redford, há uma foto espontânea dos dois rindo entre uma cena e outra.
Sem título. Sem holofotes.
Apenas a verdade de uma amizade que nunca precisou de plateia.
Algumas amizades não desaparecem.
Elas apenas passam a fazer parte de quem você é.

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