O imediatismo dos interesses apaixonados confunde-a com demência ou
tem-na em conta de deficiência de forças para poder investir violentamente
contra as circunstâncias.
Não falta quem se rebele contra os seus necessários impositivos.
Taxam-na de cobardia moral.
Crêem-na ultrapassada, nos dias voluptuosos do tecnicismo moderno.
Todavia, a resignação é bênção lenificadora, quando a vida responde em
dor e sombra, infortúnio e dificuldade aos apelos do homem.
Alternativa redentora, que somente os bravos sc conseguem impor,
reforça os valores espirituais para as lutas mais ingentes da inteligência e do
sentimento.
Não deflui de uma atitude de medo, porqüanto isto seria receio
injustificado ante as Leis Superiores, mas resulta de morigerada e lúcida
reflexão que favorece o perfeito entendimento das imposições evolutivas.
O conhecimento dos fatores causais dos sofrimentos premia o homem
com a tranqüila responsabilidade que assume, em relação aos gravames que
os motivaram.
*
Quiçá a resignação exija mais força dinâmica da coragem para submeterse, do que requereria a reação rebelada da violência.
Entrementes, a atitude resignada não significa parasitismo nem
desinteresse pela luta. Ao contrário, enseja fecundo labor ativo de reconstrução
interior, fixação de propósitos salutares em programa eficaz de enobrecimento.
*
Ceder, agora, a fim de conseguir mais tarde.
Aguardar o momento oportuno, de modo a favorecer-se com melhores
resultados.
Reagir pela paciência e mediante a confiança imbatível em Deus, apesar
do quanto conspire, aparentemente contra.
Crer sem desfalecimento, embora as aparências aziagas.
Porfiar no serviço edificante sem engendrar técnicas da astúcia
permissiva, quando tudo se apresenta em oposição.
Manter-se na alegria, não obstante sofrendo ou incompreendido,
abandonado ou vencido, expressa os triunfos da resignação no homem
consciente dos objetivos reais da existência na Terra.
*
O metal em altas temperaturas funde-se.
O rio caudaloso na planície espalha-se.
A semente no solo adubado transforma-se.
O cristão ativo na constrição do testemunho resigna-se.
A própria reencarnação é um ato de submissão, quanto a desencarnação, desde que ocorrem à mercê da vontade do aprendiz que se deve resignar às
exigências superiores da evolução.
Resignação, por conseguinte, é conquistada da não-violência do espírito
que supera paixões e impulsos vis, a fim de edificar-se e triunfar sobre si
mesmo em conseqüência, sobre os fatores negativos que lhe obstaculam o
avanço libertador.
JOANNA DE ÂNGELIS/DIVALDO FRANCO
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