Mesmo hoje é assim...
Atônitas, as multidões procuram a diretriz do reino dos céus; não
obstante, engalfinham-se nas hórridas lutas pela posse da Terra.
Fascinam-se com as narrativas evangélicas e comovem-se ante os
padecimentos do Senhor quando lêem a Sua vida; todavia não se resolvem
seguir em definitivo os roteiros iluminativos, por meio dos quais os valores
humanos mudam de expressão.
Examinando, igualmente, o comportamento de muitos companheiros de
lides, verificarás que a parábola expressiva do Senhor mantém-se em plena
atualidade para eles também.
Depois de experimentarem o contato com as legitimidades do espírito,
sentem-se dominados pelo desejo sincero de espraiarem as certezas que a
Boa Nova lhes oferece. Entretanto, aos primeiros impedimentos e problemas,
perfeitamente consentâneos com a posição evolutiva que os caracteriza,
reagem, dizendo-se descrentes, atormentam-se e debandam.
Acreditam que são credores de especiais concessões, tendo em vista
haverem recebido o convite para o banquete na corte do Grande Rei e o terem
aceito com demonstrações de vivo entusiasmo...
Não lhes acode, porém, ao discernimento, que para qualquer solenidade
se faz indispensável compostura própria, traje adequado.
Tais são as ações nobilitantes que conferem investidura e insígnias para
o comparecimento ao ágape real.
Por isso, as multidões esfaimadas de amor e sabedoria ainda não se
resolveram fartar-se nos celeiros sublimes da Revelação Espírita ora ao
alcance de todos, demorando-se em contínua aflição.
Buscando os tesouros do espírito, disputam, aguerridamente, as posses
que os “ladrões roubam, as traças roem e a ferrugem gasta...”
*
Já que recebeste o chamado para a transformação moral ao alento da
luz espírita que te aclara os dédalos do mundo interior, não titubeies. Estuga o
passo na senda habitual e reflete, deixando-te permear pelas lições de
esperança e renovação com que te armarás para os combates. ásperos contra
os severos adversários que a quase todos vencem: o egoísmo, o orgulho, a ira,
o ciúme e seus sequazes, ensinando pelo exemplo fraternidade e amor.
Não te preocupes pelo proselitismo como pelo arrastamento das
multidões à fé que te comove.
Recorda-te de Jesus que não veio para compactuar com as comezinhas
paixões nem tão pouco para agradar os campeões da insensatez — maneira
segura de conseguir simpatizantes e adeptos — antes para inaugurar o
principado da felicidade ao qual são “muitos chamados”, porém poucos
escolhidos”.
PSICOGRAFIA DIVALDO FRANCO
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