O filho de Einstein herdou uma mente brilhante, mas também uma tristeza que ninguém soube curar. ¨¨

 

O filho de Einstein herdou uma mente brilhante, mas também uma tristeza que ninguém soube curar.

Eduard Einstein nasceu em Zurique em 1910. Seu pai era Albert Einstein e sua mãe, Mileva Mari ć. Em casa chamavam-lhe Tete. Enquanto seu irmão mais velho era mais prático e reservado, Eduard era sensível, artístico e profundamente introspectivo. Tocava piano, escrevia poesia, lia Freud e Nietzsche e sonhava em ser psiquiatra. Queria entender a mente humana, justamente aquela região invisível onde mais tarde ficaria preso.

Quem o conheceu disse que ele era inteligente, delicado e cheio de possibilidades. Mas sua vida começou a quebrar na juventude. No início dos seus vinte anos, passou por uma crise grave e pouco tempo depois recebeu um diagnóstico de esquizofrenia, numa época em que as doenças mentais eram pouco compreendidas, muito estigmatizadas e tratadas com métodos duros.

Eduard acabou internado no hospital psiquiátrico Burghölzli, em Zurique, onde passou grande parte da sua vida adulta. Os tratamentos disponíveis então não tinham sensibilidade nem avanços atuais. Pouco a pouco, aquele jovem que adorava música, literatura e estudo da mente foi perdendo autonomia. Seu mundo se reduziu aos corredores de uma instituição, enquanto lá fora seu sobrenome ainda estava associado ao génio, à ciência e ao universo.

Albert Einstein sofreu com a doença do seu filho, mas a distância entre os dois tornou-se enorme. Após a chegada do nazismo, Einstein emigrou para os EUA e Eduard permaneceu na Suíça. Seu pai ajudou financeiramente e manteve contato por cartas, mas a relação nunca mais se fechou totalmente. O homem que tinha mudado a forma de entender o espaço e o tempo não conseguiu encontrar uma maneira de alcançar o próprio filho na sua dor.

Eduard morreu em 1965, aos 55 anos, no mesmo hospital que tinha sido sua casa por décadas. Albert tinha falecido dez anos antes, noutro continente. Pai e filho foram separados pela história, pela doença e por um tempo que ainda não sabia acompanhar com verdadeira compaixão aqueles que sofriam da mente.

Sua história dói porque Eduard Einstein foi muito mais do que uma nota triste na vida de um gênio. Era um jovem sensível, culto, artístico e cheio de sonhos. Queria estudar a mente humana, mas acabou enfrentando uma doença que lhe tirou grande parte da vida que poderia ter tido.

O mundo lembra-se de Albert Einstein por ter aberto uma janela para o cosmos. Mas a história de Eduard lembra algo mais íntimo e mais humano: até as maiores mentes podem se sentir impotentes diante do sofrimento de alguém que ama.



Carlos Drummond de Andrade 

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