RENOVAÇÃO 2 ***

 

A poda propicia renovação da planta.

 A drenagem faculta a modificação do campo.

 A decantação aprimora a qualidade do líquido.

 O cautério enseja laqueação de vasos e destruição dos tecidos

contaminados.

 A modificação dos hábitos viciosos fomenta o entusiasmo que liberta do

comodismo pernicioso e da atividade perturbadora.

 Imperioso o esforço para a renovação que gera bênçãos e é matriz de

prodigiosas conquistas.

 Renovar idéias — haurindo no manancial inesgotável do Evangelho a

inspiração superior.

 Renovar palestras — mediante o exercício salutar do pensamento

comedido e nobre.

 Renovar atividades — colocando o “sal” da alegria e a gota de amor em

cada tarefa a ser realizada.

 Renovar objetivos — através do estudo contínuo das metas e meios para

a libertação espiritual, tendo em vista a decisão irrevogável de triunfar sobre as

imposições afligentes que conspiram no mundo contra a paz verdadeira do

espírito.

 Renovar é processo fecundo de produzir. Não apenas renovar para

variar, antes reativar os valores que jazem vencidos pela rotina pertinaz, ou

redescobrir os ideais que, a pouco e pouco, vão consumidos pelo marasmo,

vencidos pela modorra, desarticulados pelas contingências da mecânica

realizadora.

 A renovação interior — poda moral — desse modo, exige disciplina e

sacrifício para lograr o êxito que se pretende colimar.

*

 Diante da questão desagradável, que já não consegues resolver, renova

a paciência e tenta uma vez mais.

 Ante a pessoa irritante que já conseguiu fazer-se antipática, renova

conceitos e insiste na fraternidade um pouco mais.

 Face ao antagonista gratuito que logra desagradar-te, renova o esforço

de vencer-te e sê gentil ainda mais.

 Perante o sofrimento que parece destruir-te, renova-te pela oração e

confia mais.

*

 O discípulo do Evangelho, que desdenha o milagre da renovação, pode

ser comparado ao trabalhador que menospreza a esperança torna-se vítima

fácil para o fracasso.

 Jesus, o Sublime Exemplo, ensinando a perene urgencia da renovação

dos propósitos superiores, cercou-se de pessoas difíceis de serem amadas,

compreendidas, ajudadas, não desperdiçando situações nem circunstâncias

negativas, armadilhas e astúcias em momentos de aflitivas conjunturas, propiciando-nos, assim, a demonstração do valor do ideal e da vivência do

Bem, conseguindo todos renovar e tudo modificar, em razão dos objetivos

elevados do Seu ministério entre os homens.

 Sem reclamar contra o pecado, renovou os pecadores.

 Sem invectivar a astúcia, renovou as vítimas da perturbação bem urdida.

 Sem reagir contra os que O perseguiam em caráter contumaz, renovou

todos os que se facultavam a Sua palavra.

 Toda a mensagem que nos legou, mediante palavras ou ações,

constituiu um poema e um hino de bênçãos à renovação do homem, do mundo

e da Humanidade. 


JOANNA DE ÂNGELIS/DIVALDO FRANCO

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