segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ainda a Imortalidade

O século XVIII o conheceu como grande músico. Deu seu primeiro concerto aos 7 anos e aos 12 apresentou sua primeira composição significativa.
Muito triste foi sua vida. O pai, cantor da Corte, usava de brutalidade com ele, especialmente quando, após exaustivas horas de estudo ao piano, o garoto errava uma nota.
Recebia muitos safanões também nas noites em que o pai se embriagava e chegava ao lar em péssimo humor.
Quando tinha 17 anos, sua mãe morreu e ele assumiu os cuidados dos dois irmãos menores.
Viena, a cidade da música, o recebeu de braços abertos e costumava ouvi-lo embevecida.
Aprendeu a tocar trompa, viola, violino, clarinete para melhor poder escrever músicas para orquestra.
A fama do seu talento rápido se espalhou e muitos foram os concertos que deu, inclusive em benefício da viúva e filhos de Mozart.
Mas, aos 27 anos um zumbido incômodo o obrigou a consultar um médico para ouvir a pior sentença de sua vida: estava ficando surdo.
Ludwig Van Beethoven, o compositor, o maestro passou a evitar as reuniões sociais e isolou-se no campo.
As árvores parecem me falar de Deus, ele dizia. Em uma carta, confessou aos irmãos:
Não posso pedir às pessoas que falem mais alto, porque sou surdo. Talvez em outra profissão fosse mais fácil, mas um músico deve ter este sentido mais perfeito do que os outros.
Embora tentado pela depressão, ele não se deixou dominar. Não desistiu.
Sua produção musical foi adquirindo qualidade muito diferente dos demais compositores e, por incrível que pareça, as composições que mais se conhecem e adquiriram maior notoriedade são justamente as que ele compôs após diagnosticada a sua surdez.
Os sons pareciam morrer a pouco e pouco, na sequência dos dias, para sua audiência física. Contudo, ele parecia ouvir sons imortais.
Apesar da tristeza que o rodeou e no isolamento que se impôs, registrou em sua última sinfonia, a Nona, uma Ode à alegria.
É um cântico da alma que exalta o Criador pela Sua criação.
Não há quem a ouça e permaneça indiferente.
Possivelmente, seu Espírito estava a adivinhar que em breve partiria para a Pátria espiritual e já exalava seu hino de felicidade, pela libertação.
Em 1827, depois de uns anos finais tristes, ele morreu, deixando como legado seu testemunho da certeza imortalista: No céu, vou tornar a ouvir.
*   *   *
A certeza da Imortalidade se encontra no íntimo de todos os seres.
Mesmo quando as criaturas afirmam que nada deve existir para além da vida física, deixam escapar vez ou outra alguma frase como: Quando eu me for desta para uma melhor...
Esta certeza é fruto da essência imortal que somos.
Entre os povos mais primitivos, o culto aos mortos registra que eles acreditavam em uma vida depois da vida física, embora não tivessem a exata ciência de como ela seria.

Redação do Momento Espírita, com base no texto
O triunfo de Beethoven, de O livro das virtudes,
kv. 2, de William J. Bennett, ed. Nova Fronteira.
Em 12.02.2010.