sábado, 30 de julho de 2011

Deus

Como falar de Deus? Como descrevê-lo? Como localizá-lo? É um espírito? É uma força? É uma energia? É o tudo? É o nada? Como explicá-lo?
Se vamos explicar Deus através das religiões, sem estarmos imbuídos pelo fanatismo, enxergamos absurdos que a nossa razão nos impede de aceitar.
Inicialmente, procurei estudá-lo sem nenhum espírito de religiosidade para que a minha linha de raciocínio não ficasse apegada aos velhos conceitos de temor, fanatismo e idolatria.
As opiniões dos teólogos, pesquisadores, estudiosos, filósofos não me satisfizeram. A maioria descamba para as religiões, se envolvem com Antigo Testamento que predomina o velho conceito bíblico, onde encontramos Deus em Noé, Abraão, Jacó, Moisés em situações que a razão não permite aceitar. Outros usam palavras, frases e conceitos que não nos levam a lugar nenhum. É mero jogo de idéias da mais pura abstração.
Fizeram uma caricatura de Deus, informando que somos a sua semelhança. Ora, para ter a nossa semelhança Deus deveria ter as nossas virtudes, defeitos e fraquezas. Teria que ser humano, com barbas longas e brancas, como se fosse passível de envelhecimento pelo desgaste celular. Para os mais místicos seria O Grande Bruxo, o que serviria para alimentar as ilusões dos “iniciados”.
Procurei, então, imaginá-lo através da natureza, da ciência, do universo que nos rodeia, dos fenômenos, dos acontecimentos do dia-a-dia, de mim próprio.
Assim, tomei a decisão de fazer uma análise a partir de mim mesmo como ser humano e de tudo que nos cerca. Na parte física um esqueleto, preenchido de carne, nervos, músculos e revestido de um tecido. Composto de órgãos e sistemas, comandados por um cérebro. No que se refere a parte química, temos a produção de sucos gástricos que auxiliam a digestão dos alimentos, bem como a produção do leite materno que mantém a alimentação do recém-nascido durante um determinado período. Tendo ainda uma infinidade de outras funções que o organismo necessita durante toda a vida. Além disso, existem os pensamentos, o raciocínio, as idealizações que são postos em prática através do corpo. A união de corpos produzindo corpos...
O mundo vegetal sempre a disposição de racionais e irracionais, abrigando e alimentando. Produzindo frutos, madeira, celulose, fibras, remédios, etc. Contribuindo para refrigeração do meio ambiente, absorvendo o gás carbônico e liberando o oxigênio, tão necessário a toda espécie de vida. Folhas de diversos matizes e textura diversa. Raízes, caules, cascas, troncos, tamanhos, seivas, frutos, tudo de acordo com as condições climáticas.

Os animais, em imensa variedade, também têm importância fundamental na nossa vida, pois, além de produzirem alimentos dos mais variados, executam tarefas tais como: limpeza, trabalho, transporte, companhia. Também fornecem substâncias medicamentosas. Uns capazes de voar, outros vivem exclusivamente em terra firme, ainda aqueles que habitam as águas, sendo que existem uns que tem capacidade de viver na terra e na água.
Diante da formidável força dos elementos da natureza nos sentimos impotentes e imaginamos de onde emana tanta energia. A influência da lua sobre as marés. As imprevisíveis erupções vulcânicas. Os terremotos que abalam sem o prévio aviso.
A vastidão sem fim do cosmo que cerca o nosso pequenino planeta. As distâncias inimagináveis entre os sistemas planetários, que ainda hoje são consideradas impossíveis de serem percorridas. O equilíbrio mantido entre os corpos celestes, por milhões de anos impedindo que os mesmos interfiram na órbita uns dos outros.
Ah! Um turbilhão de pensamentos invade a minha mente. Mas são tantas coisas para refletir. Mesmo iniciando a observação por mim é me impossível apreender tanta informação. As células, os cromossomos, os trilhões de neurônios, o plasma sangüíneo, as plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos, a produção dos enzimas, as funções renais e hepáticas. Sem ousar mais me estender pelos reinos vegetal, animal e mineral, nem pelos fenômenos da natureza, tampouco me aventurar pela imensidade do espaço infinito, eu paro, penso.
Raciocinando sobre tudo isso um sentimento profundo se apossa de mim.
É tanto poder, é tanta energia, é tanta grandiosidade, é tanto tudo que diante de tudo ou sou quase nada.
Agora, reconheço a presença do impossível, do indescritível. Fico comovido. Não sei chore, se grite ou se ore. Só sei que são captados os meus sentimentos e é o que importa.
Nos foi permitido conhecer e escolher entre: o bem e o mal, o finito e o infinito, o calor e o frio, o amor e o ódio, o certo e o errado, o doce e o amargo, a luz e a sombra, a saúde e a doença, dar e receber, ter e não ter, a paz e a guerra, o forte e o fraco, a tristeza e a alegria, a felicidade e o sofrimento...
DEUS, agora tenho que caminhar com os meus próprio pés, tenho que conquistar o meu progresso, tenho que fazer a minha parte no infinito concerto da vida. Não devo lamentar os meus erros e sim repará-los. Preciso construir o meu destino redirecionando os meus objetivos. Tenho que aprender a ser condescendente com todos e com tudo.
Crer, já não é uma questão de fé, mas de certeza, de conhecimento, de observação, de raciocínio e de reconhecimento.
A prece é uma questão de ligação perene da nossa parte, de respeito, de compreensão.
A contrapartida dos nossos anseios estarão sempre na medida dos nossos esforços e na proporção do nosso merecimento. Nada será derrogado. Atalhos não acontecerão simplesmente pelo nosso desejo.
A Sua justiça é sempre presente independente da nossa vontade.
Às nossas dores, o conforto e a consolação se farão presentes na hora
devida.
Oramos agora, com um sentimento de humildade e entrega.

Pai, permite que assim eu possa te chamar, porque atende aos meus instintos humanos, embora o sentimento seja bem mais profundo.
Diante do exposto, o meu sentimento de fé é baseado em raciocínio, no bom senso, na observação, não é mais uma questão de crer e sim de saber.
Assim, o sentimento do amor incondicional desperta naturalmente, porque já não somos um ser a parte na natureza, somos uma peça do conjunto divino.
Transcende em mim, a noção da união de tudo. Formamos um só conjunto universal, e mesmo, com os infinitos subconjuntos, nunca perdemos o ponto de intercessão com Deus..
Ó inimaginável Deus, muitos te têm temor, muitos por ti só têm fanatismo, muitos de ti esperam milagres e graças, muitos só te lembram nas dificuldades e depois esquecem, muitos te amam sem saber porque, muitos já adquiriram um certo conhecimento e te amam porque sabem.
E eu não posso ousar te pedir nada, diante de tudo que eu penso que sei, só me resta ir refazendo o meu caminho com dignidade e humildade, com alegria e felicidade, pois guardo no íntimo uma confiança inabalável e irremovível.
Olha-me!
Luiz Murta Silva