sexta-feira, 29 de julho de 2011

E OS FINS?

“Mas nem todas as coisas edificam.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS
CORÍNTIOS, CAPÍTULO 10, VERSÍCULO 23.)

Sempre existiram homens indefiníveis que, se não fizeram mal a ninguém,
igualmente não beneficiaram a pessoa alguma.
Examinadas nesse mesmo prisma, as coisas do caminho precisam
interpretação sensata, para que se não percam na inutilidade.
É lícito ao homem dedicar-se à literatura ou aos negócios honestos do
mundo e ninguém poderá contestar o caráter louvável dos que escolhem
conscientemente a linha de ação individual no serviço útil. Entretanto, será
justo conhecer os fins daquele que escreve ou os propósitos de quem negocia.
De que valerá ao primeiro a produção de longas obras, cheias de lavores
verbais e de arroubos teóricos, se as suas palavras permanecem vazias de
pensamento construtivo para o plano eterno da alma? em que aproveitará ao
comerciante a fortuna imensa, conquistada através da operosidade e do
cálculo, quando vive estagnada nos cofres, aguardando os desvarios dos
descendentes? Em ambas as situações, não se poderia dizer que tais homens
cogitavam de realizações ilícitas; todavia, perderam tempo precioso, esquecendo
que as menores coisas trazem finalidade edificante.
O trabalhador cônscio das responsabilidades que lhe competem não se
desvia dos caminhos retos.
Há muita aflição e amargura nas oficinas do aperfeiçoamento terrestre,
porque os seus servidores cuidam, antes de tudo, dos ganhos de ordem
material, olvidando os fins a que se destinam. Enquanto isso ocorre,
intensificam-se projetos e experimentos, mas falta sempre a edificação justa e
necessária.