sexta-feira, 21 de outubro de 2011

BOAS MANEIRAS

“E assenta-te no último lugar.” — Jesus. (LUCAS, CAPÍTULO 14,
VERSÍCULO 10.)
O Mestre, nesta passagem, proporciona inolvidável ensinamento de boas
maneiras.
Certo, a sentença revela conteúdo altamente simbólico, relativamente ao
banquete paternal da Bondade Divina; todavia, convém deslocarmos o conceito
a fim de aplicá-lo igualmente ao mecanismo da vida comum.
A recomendação do Salvador presta-se a todas as situações em que nos
vejamos convocados a examinar algo de novo, junto aos semelhantes. Alguém
que penetre uma casa ou participe de uma reunião pela primeira vez,
timbrando demonstrar que tudo sabe ou que é superior ao ambiente em que se
encontra, torna-se intolerável aos circunstantes.
Ainda que se trate de agrupamento enganado em suas finalidades ou
intenções, não é razoável que o homem esclarecido, aí ingressando pela vez
primeira, se faça doutrinador austero e exigente, porqüanto, para a tarefa de
retificar ou reconduzir almas, é indispensável que o trabalhador fiel ao bem
inicie o esforço, indo ao encontro dos corações pelos laços da fraternidade
legítima. Somente assim, conseguirá alijar a imperfeição eficazmente,
eliminando uma parcela de sombra, cada dia, através do serviço constante.
Sabemos que Jesus foi o grande reformador do mundo, entretanto,
corrigindo e amando, asseverava que viera ao caminho dos homens para
cumprir a Lei.
Não assaltes os lugares de evidência por onde passares. E, quando te
detiveres com os nossos irmãos em alguma parte, não os ofusques com a
exposição do quanto já tenhas conquistado nos domínios do amor e da
sabedoria. Se te encontras decidido a cooperar pelo bem dos outros, apaga-te,
de algum modo, a fim de que o próximo te possa compreender. Impondo
normas ou exibindo poder, nada conseguirás senão estabelecer mais fortes
perturbações.