sexta-feira, 18 de novembro de 2011

NA CRUZ

"Ele salvou a muitos e a si mesmo não pôde salvar-se." - (MATEUS,
27:42.)

Sim, ele redimira a muitos...
Estendera o amor e a verdade, a paz e a luz, levantara enfermos e
ressuscitara mortos.
Entretanto, para ele mesmo erguia-se a cruz entre ladrões.
Em verdade, para quem se exaltara tanto, para quem atingira o
pináculo, sugerindo indiretamente a própria condição de Redentor e
Rei, a queda era enorme...
Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses
inferiores.
Era o Salvador e não se salvava.
Era o Justo e padecia a suprema injustiça.
Jazia o Senhor flagelado e vencido.
Para o consenso humano era a extrema perda.
Caíra, todavia, na cruz.
Sangrando, mas de pé.
Supliciado, mas de braços abertos.
Relegado ao sofrimento, mas suspenso da Terra.
Rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração içado ao Amor.
Tombara, vilipendiado e esquecido, mas, no outro dia, transformava
a própria dor em glória divina. Pendera-lhe a fronte, em pastada de
sangue, no madeiro, e ressurgia, à luz do sol, ao hálito de um
jardim.
Convertia-se a derrota escura em vitória resplandecente. Cobria-se o
lenho afrontoso de claridades celestiais para a Terra inteira.
Assim também ocorre no círculo de nossas vidas.
Não tropeces no fácil triunfo ou na auréola barata dos crucificadores.
Toda vez que as circunstâncias te compelirem a modificar o roteiro da
própria vida, prefere o sacrifício de ti mesmo, transformando a tua
dor em auxílio para muitos, porque todos aqueles que recebem a
cruz, em favor dos semelhantes, descobrem o trilho da eterna
ressurreição.