quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O NATAL DE CADA UM

Por Frederico Guilherme Kremer

Os Evangelhos não foram escritos
com o objetivo de ser uma biografia
de Jesus, mas para apresentar a sua
filosofia e os seus ensinamentos. Nada
obstante, os acontecimentos foram expostos
atendendo uma ordem cronológica
da sua vida. Assim, encontramos algumas
lacunas, em especial na fase da sua
juventude até o início do ministério público,
dando margem às mais variadas hipóteses.
Entretanto, no livro “Boa Nova”, da
lavra mediúnica de Chico Xavier e de
autoria do Espírito Humberto de Campos,
encontramos interessante e esclarecedor
relato, que resumimos a seguir: “Após a
famosa passagem do adolescente Jesus ser
encontrado por Maria, no pátio das mulheres,
a conversar com os admirados doutores
da lei, os religiosos conversaram com
José propondo que o notável menino fosse
educado no Templo. Uma grande oportunidade,
tendo em vista as dificuldades
educacionais da época. Maria, na condição
de mãe, ficou feliz com a oferta e foi consultar
Jesus. O Mestre optou por permanecer
trabalhando junto com José, no labor
diário da carpintaria e nas tarefas de casa.”
O nascimento de Jesus também tem
suscitado várias perguntas, numa curiosidade
natural, cujas respostas são hipóteses
respeitáveis de estudiosos e exegetas.
Tomando como base os relatos de
Mateus e Lucas, podemos afirmar que o
acontecimento mais importante para a
humanidade foi descrito em poucas palavras,
em sintonia com a simplicidade do
evento e com a humildade de Jesus.
Embora não houvesse uma intencionalidade
das criaturas na ocasião, simbolicamente
os homens não deram pousada
para Maria e seu futuro bebê em suas
casas, significando que o Cristo não seria
acolhido nos corações e acabaria crucificado
entre dois ladrões.

Por outro lado, o Natal mostrou como
o Salvador iria inverter os valores tradicionalmente
cultuados no mundo. As milícias
espirituais ao invés de anunciarem o
nascimento para os sacerdotes no Templo,
fizeram-no para humildes pastores, que
ficavam à margem da estrutura social da
época.
Ao invés de ser acolhido num berço,
Maria utilizou uma manjedoura, onde os
animais se alimentavam. Lição importante
que ensina a necessidade de comermos o
Pão da Vida, para vencermos os nossos
instintos animalizados.
Outro detalhe que chama a atenção é a
ligação de Jesus com a madeira. Ele entrou
e saiu da Terra com a madeira nas costas e
sua educação foi pautada no exemplo do
trabalho, das mãos calosas e do suor do
carpinteiro de Nazaré, José.
Entretanto, a questão mais intrigante,
sem dúvida alguma, é a data do Natal. Hoje
sabemos que muito provavelmente Jesus
não nasceu no dia 25 de dezembro. Isto
porque, nesta época, na Palestina era inverno
e certamente não havia pastores nos
campos na noite fria.
Muitas hipóteses são levantadas pelos
pesquisadores que se debruçam nos
estudos do Novo Testamento. Entendemos
que este mistério não será revelado, por
uma razão muito simples: cada um tem uma
data para o seu próprio Natal, pois o Cristo
nasce dentro de nós em momentos diferentes.
Para o Apóstolo Pedro, o Cristo nasceu
dentro de si quando o Mestre foi levado
para as autoridades romanas em busca
da autorização legal da sentença de
morte, após o interrogatório das autoridades
do Sinédrio, quando o galo cantou
na manhã da sexta-feira da Páscoa do
ano 33.
Para o grande Apóstolo Paulo de Tarso,
nasceu quando estava a caminho de Damasco para encetar mais uma perseguição
aos cristãos.
Para Santo Agostinho, no ano 386,
num jardim em Milão, quando ouviu vozes
de crianças a cantar: “Pega e lê, pega e
lê”. Abrindo o Novo Testamento, na carta
de Paulo aos Romanos, registrou a exortação
do Apóstolo para a criatura revestirse
do Cristo, para conseguir superar os
seus problemas interiores.
Para Francisco de Assis, nasceu quando
andava a cavalo pelas planícies de Assis
e encontrou um miserável leproso. Vencendo
a repulsa, saltou do cavalo e abraçou
afetuosamente o pobrezinho, que esperava
apenas uma moeda...
Para Teresa de Calcutá, aconteceu
quando estava a caminho de um retiro espiritual
em Darjeeling, na Índia, num apinhado
trem que embarcara em Calcutá.
Ao chegar na estação de destino, emocionada
com o sofrimento à sua volta, dedicou-
se integralmente aos filhos do calvário.
Evidentemente estamos falando de um
Natal verdadeiro e profundo, com o inevitável
comprometimento com as lições do
Evangelho. Existe uma grande diferença
entre o Cristianismo de epiderme ou social
e aquele que brota em nosso mundo interior,
no fundo da nossa alma. A partir deste
nascimento sincero, quando a criatura cai
em si, o Cristo cresce no nosso íntimo, inevitavelmente,
a tal ponto, que poderemos
afirmar como Paulo de Tarso na Epístola
aos Gálatas: “Eu vivo. Mas não sou eu
quem vive , mas o Cristo que vive em mim”.
De qualquer maneira comemoramos o
Natal, coletivamente, no dia 25 de dezembro
e a semelhança do primeiro Natal,
quando a esfera crística aproximou-se das
sombras do planeta pacificando os homens,
na conhecida “Pax Romana”, experimentamos
uma melhoria na psicosfera planetária,
pois Jesus, apesar de todos os
desvios comerciais, é relembrado mesmo
por aqueles que se encontram Dele distante
nos demais dias do ano.
Certamente em futuro próximo a humanidade
não precisará de um dia especial
para glorificar e lembrar Jesus, porque
naturalmente estaremos em plena sintonia
com Ele, permanecendo no seu amor e
cumprindo os seus mandamentos, e poderemos
vivenciar o que os anjos anunciaram
para os pastores no primeiro Natal:
“Glória no mais alto dos céus! Paz na Terra
aos homens de boa vontade!”
“Renovam-se no Natal as vibrações da
Estrela do Amor, que exaltou com Jesus a
glorificação a Deus e ao Reino da boa
vontade entre os homens.”
“Antologia mediúnica do Natal” Emmanuel