terça-feira, 27 de dezembro de 2011

OBREIROS DA VIDA

Enquanto soam as melodias da esperança, cantando a música do trabalho
nos ouvidos da vida, porfia na fidelidade ao dever.
Enquanto a Terra se reverdece e uma primavera brota do caos das
dissipações generalizadas, prenunciando o largo dia do Senhor, prossegue em
atividade.
Enquanto as perspectivas sombrias do desastre e da guerra campeiam,
curva-te ante as leis de seleção que realizam o Ministério Divino, a fim de
modificar a estrutura do Orbe na sua inevitável transformação para Mundo
Regenerador. E não obstante a ingente tarefa a que és convocado, sê
daqueles que adquirem dignidade no culto da reallzação nobre produzindo em
profundidade e com a perfeição possível.
Armado como te encontras, com os sublimes instrumentos do discernimento
e da razão, sobre a estrutura de fatos inamovíveis, sê dos que edificam o
santuário da paz universal sôbre os pilotis da renúncia, vencendo as ambições
desmedidas e as vaidades Injustificáveis.
Não te importes saber donde vieste, não te convém examinar o que és;
interessa-te em observar o que produzes e o que deixas de produzir.
Se os teus celeiros de luz se encontram abarrotados pelos grãos da
Misericórdia ou com o feno inútil que os transformou em depósito de treva e de
dissensões a responsabilidade é tua.
Se até ontem padronizaste o comportamento pelo equívoco, não te é lícito
doravante repetir enganos e insistir em engodos. Vives na Terra o instante
definitivo da grande batalha e Jesus necessita de alguns estóicos servidores
que a Ele se entreguem totalmente, para o combate final.
* * *
Estão espalhadas em vários pontos do Planeta as fortalezas da esperança
onde se resguardam os lidadores do amanhã.
Convém ressaltar que o Senhor nos reuniu a todos, não pelo império
caprichoso do acaso, nem pela ingestão mirabolante do descuido, ou pela
contingência precária das nossas manifestações gregárias alucinadas, mas por
uma pré-determinação de Sua sabedoria, que nos convocou, devedores e
credores reunidos, cobradores inveterados e calcetas para a regularização dos
débitos pesados a fim de nos reajustarmos à lei sublime do Amor, longe das
subalternidades das paixões. Não permitamos, assim, que medrem
sentimentos inferiores na nossa gleba de luz, não deixemos que o descuido de
uns ou a invigilância de outros nos supreendam no pôsto do nosso combate,
transcorridas tantas lutas, assinaladas pelas ações nobres, após tantos anos
de perseverança no dever, depois de tantas esperanças que fomos obrigados a
adiar e tantas ilusões que asfixiamos na realidade da vida.
Não disseminemos os grãos da desídia nem deixemos que a semente
nefária da emotividade subalterna desenvolva em nosso lar, em nossa família
ampliada, os gérmens virulentos das manifestações amesquinhantes, capazes
de nos enfermarem o organismo ciclópico da alma, tombando-nos adiante e
deixando-nos na retaguarda.
Todos nós, nós todos, somos peças importantes quão valiosas das

determinações divinas neste momento azado e estamos sob vigilância rigorosa
da fatuidade e da idiossincrasia, sofrendo a pressão das fôrças baixas da
animalidade, que pretendem conspirar contra o espírito do Cristo, que vive dentro
de nós, em tôrno de nós, conduzindo-nos a todos.
É necessário não negligenciar atitude, não ceder ao mal e orar, orar
sempre.
Não há porquê recearmos, sejam quais forem as conjunturas, mesmo as
aparentemente adversas que nos sitiem, pois não temos sequer um motivo
falso para sob êle nos albergarmos justificando a ausência da excelsa
misericórdia Divina que nos protege, que nos ampara, aquiescendo nas
negociatas da usurpação e do êrro, da frivolidade e do conúbio com a
insensatez. Não estamos diante de uma gleba cuidada por “meninos
espirituais”.
Assim sendo, melhor seria que nos alijássemos espontâneamente do dever,
a que nos constituamos pedra de tropêço na Obra do Cristo, neste momento de
decisão.
Impõe-se examinar as suas disposições para adquirires maioridade
espiritual nas tuas decisões imortalistas, diante das tarefas assumidas com o
Senhor, na pauta do teu progresso espiritual, com a visão colocada no futuro
dilatado.
* * *
Esforça-te, vencendo o adversário oculto que reside na plataforma do eu
enfêrmo, e, combatendo-o aguerridamnente com as armas superiores do amor
e da perseverança, não recalcitres mais, não te permitas a negligência da
ociosidade, nem o sonho utópico do prazer chão que obscurece os painéis da
alma e entorpece as aspirações para vôos mais altos.
Como as “más palavras, corrompem os costumes”, os pensamentos frívolos
intoxicam o espírito.
Um dia, o sublime Espírito do Cristo desceu à Terra para fundar um Reino e
atirou os alicerces da sua construção na alma humana dando início à
edificação de um País como jamais alguém houvera sonhado - O Reino dEle
está em todos nós, pedras angulares que nos tornamos, do edifício da
esperança, para a futura humanidade feliz.
Enquanto raia nova aurora para o homem melhor, levanta-te obreiro da Vida
para o trabalho sublime do Reino de Deus que já está na Terra e no qual te
encontras engajado desde ontem para o breve término, quando o Senhor
tomará das tuas e das nossas mãos alçando-nos, pelas asas da prece, à
plenitude vitoriosa do espírito vencedor da matéria e da morte.
*
“Pois digno é o trabalhador do seu salário”
Lucas: capítulo 10º, versículo 7
*
“Á cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. Não constrói a
formiga o edifício de sua república e imperceptíveis animálculos nãoelevam continentes? Começou a nova cruzada. Apóstolos da paz
universal, que não de uma guerra, modernos São Bernardos, olhai e
marchai para a frente: a lei dos mundos é a do progresso”. Fénelon
(Poitiers, 1861.)
Capítulo 1º — Item 10, parágrafo 3.