terça-feira, 20 de dezembro de 2011

SEPULCROS ABERTOS

A sua garganta é um sepulcro aberto.” - Paulo. (ROMANOS, 3: 13.)



Reportando-se aos espíritos transviados da luz, asseverou Paulo que
têm a garganta semelhante a sepulcro aberto e, nessa imagem,
podemos emoldurar muitos companheiros, quando se afastam da
Estrada Real do Evangelho para os trilhos escabrosos do
personalismo delinqüente.
Logo se instalam no império escuro do "eu", olvidando as obrigações
que nos situam no Reino
Divino da Universalidade, transfigura –se -lhes a garganta em
verdadeiro túmulo descerrado. Deixam escapar todo o fel
envenenado que lhes transborda do íntimo, à maneira dum vaso de
lodo, e passam a sintonizar, exclusivamente, com os males que ainda
apoquentam vizinhos, amigos e companheiros.
Enxergam apenas os defeitos, os pontos frágeis
e as zonas enfermiças das pessoas de boa-vontade que lhes
partilham a marcha.
Tecem longos comentários no exame de úlceras alheias, ao invés de
curá-las.
Eliminam precioso tempo em palestras compridas e feri nas,
enegrecendo as intenções dos outros.
Sobrecarregam a imaginação de quadros deprimentes, nos domínios
da suspeita e da intemperança mental.
Sobretudo, queixam-se de tudo e de todos.
Projetam emanações entorpecentes de má-fé, estendendo o
desânimo e a desconfiança contra a prosperidade da santificação, por
onde passam, crestando as flores da esperança e aniquilando os
frutos imaturos da caridade.
Semelhantes aprendizes, profundamente desventurados pela conduta
a que se acolhem, afiguram –se - nos, de fato, sepulcros abertos...
Exalam ruínas e tóxicos de morte.
Quando te desviares, pois, para o resvaladiço terreno das
lamentações e das acusações, quase sempre indébitas, reconsidera
os teus passos espirituais e recorda que a nossa garganta deve ser
consagrada ao bem, pois só assim se expressará, por ela, o verbo
sublime do Senhor.