terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Palavras e atitudes


“... Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos
céus: mas somente entrará aquele que faz a vontade do meu Pai, que está
nos céus...”




 Os bons dicionários definem comunicação como ato ou efeito de transmitir
e receber mensagens e que envolve duas ou mais pessoas. É o processo de
permutar conceitos, gestos, ideais ou conhecimentos, falando, escrevendo ou
através do simbolismo dos sinais e expressões.
Enquanto a conversação entre dois indivíduos tem um caráter mais restrito
de comunicação, as atitudes que acompanham os diálogos têm um poder de
comunicação mais amplo, eloqüente e determinante.
O mecanismo que envolve a comunicação divide-se em três propriedades
básicas dos seres humanos e se torna possível porque usamos nossa
“percepção” ou “sensibilidade” para captar as informações; depois avaliamos
para poder interpretar e compreender a mensagem; e, finalmente,
“expressamo-nos” com palavras ou atitudes, baseadas nas reações emocionais
provocadas pela maneira como integramos aquela mesma mensagem.
As circunstâncias existenciais de nossa vida de relação são o resultado
direto de nossas atitudes interiores. Precisamos prestar atenção nos conteúdos
de informação que recebemos, não somente pelas mensagens diretas, mas
também por aquelas que absorvemos entre conteúdos simbólicos,
inconscientes e subentendidos, na chamada comunicação “além da
comunicação” convencional.
Jesus Cristo considerou a importância da palavra aliada ao crer, quando
disse: “não afeteis orar muito em vossas preces, como fazem os gentios, que
pensam ser pela multidão de palavras que serão atendidos”. (1)
O Mestre disse que não seria pela “multidão de palavras” que nossas
súplicas seriam atendidas, mas que os sentimentos silenciosos seriam fatores
essenciais, ou seja, a sinceridade provida de vontade firme, intensidade e
determinação, unidas pela “convicção”, seriam conseqüentemente a forma
ideal para os nossos pedidos e apelos à Divindade.
O simples pedido labial não tem a mesma potência do pedido
estruturado em pensamentos concretos e firmes atitudes interiores.
Dizer por dizer “Senhor! Senhor!” não nos dará permissão para
ingressar no Reino dos Céus, “mas somente entrarão aqueles que fazem a
vontade de meu Pai”, quer dizer, os que usam o desejo e o empenho como
alavancas propulsoras em suas palavras e solicitações.
Os estudiosos do comportamento dizem que todos nós, desde a
infância, recebemos através da comunicação um maior ou menor
desenvolvimento psicoemocional.
Afirmam que as informações recebidas através dos órgãos da
linguagem - essencialmente dentro de casa, dos pais e irmãos, ou fora da
família, dos tios, primos, avós ou amigos - agem sobre nós proporcionando
recursos valiosos e determinantes sobre nosso modo de pensar, e atraem
pessoas e coisas ao nosso redor. Certas informações, porém, captadas pelas

crianças e adolescentes, explicam esses mesmos estudiosos, são transmitidas
através da comunicação não-verbal: expressões corporais, mímicas, trejeitos
do rosto, tonalidades, suspiros, lágrimas, gestos de contrariedade ou
movimento das mãos. O comportamento, as expressões carinhosas e os
monólogos da mãe com o feto na vida intra-uterina são comunicações
superinfluenciadoras na estrutura emocional e espiritual das crianças em
formação.
Todos nós recebemos e transmitimos mensagens articuladas
constantemente, retendo ou não essas mesmas informações. Realizamos
somas ou subtrações mentais com palavras e atitudes vivenciadas hoje e com
outras recebidas ontem, para chegarmos a novos conceitos e conclusões da
realidade.
Reconstituímos ocorrências passadas, antevemos fatos futuros,
iniciamos e alteramos processos fisiológicos na intimidade de nosso organismo
com nossas afirmações verbais negativas e positivas. Assim, compreendemos
que a palavra tem uma importância inegável: ela cria vínculos de natureza
mental, emocional e psicológica, altera o intercâmbio psíquico-espiritual e atua
na formação de nossa personalidade, por meio da interação palavras! atitudes.
Em síntese, o poder da palavra em nossa vida é fundamental, e, se
observarmos a reação de nossas afirmações e atos, descobriremos que eles
não retornarão jamais vazios, mas repletos do material emitido.
Segundo o apóstolo Mateus, “por nossas palavras seremos justificados,
e por nossas palavras seremos condenados”, (2) pois diálogos são
pensamentos que se sonorizam e criam campos de energia condensada dentro
e fora de nós.
Reformulemos, se for o caso, as comunicações ou atitudes que
recebemos na infância. Se porventura foram de severidade e rispidez, se nos
menosprezaram com mensagens negativas constantes, repetitivas e
depreciativas, poderão ser elas a razão de nossos sentimentos de
inferioridade, rejeição e agressividade compulsórias.
Não diga “que dia horrível!” porque simplesmente está chovendo. A
dramaticidade é um dos fatores traumáticos de nossa existência, pois muitas
dessas expressões despretensiosas, repetidas muitas vezes, podem-nos
conduzir a verdadeiros turbilhões vivenciais.
Nossas palavras são filamentos sonoros revestidos de nossos
sentimentos, e nossas atitudes são o resultado de expressões assimiladas e
determinadas pelo nosso comportamento mental.
(1) Mateus 6:7.
(2) Mateus 12:37.

Renovando Atitudes/FCX