domingo, 22 de janeiro de 2012

Todos são caminhos

“... Por que essa porta tão estreita, que é dada ao menor número
transpor, se a sorte da alma está lixada para sempre depois da morte? É
assim que, com a unicidade da existência, se está incessantemente em
contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade
da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se amplia...”







Também os caminhos inadequados que tomamos ao longo da vida são
parte essencial de nossa educação. A cada tropeço é preciso aprender,
levantar novamente e retornar à marcha.
Tudo o que sabemos hoje aprendemos com os acertos e erros do
passado, e cada vez que desistimos de alguma coisa por medo de errar
estamos nos privando da possibilidade de evoluir e viver.
A estrada por onde transitamos hoje é nossa via de crescimento espiritual
e nos levará a entender melhor a vida, no contato com as múltiplas situações
que contribuirão com o nosso potencial de progresso.
Devemos, no entanto, indagar de nós mesmos: “Será este realmente meu
melhor caminho?”
“Porventura é correta a senda por onde transito?”
É justa a observação e têm propósito nossas dúvidas; por isso,
raciocinemos juntos:
Se Deus, perfeição suprema, nos criou com a probabilidade do engano,
modelando-nos de tal forma que pudéssemos encontrar um dia a perfeição, é
porque contava com nossos encontros e desencontros na jornada existencial.
Se nos gerou falíveis, não poderá exigir-nos comportamentos sempre
irrepreensíveis, pois conhece nossas potencialidades e limites.
Se criaturas como nós aceitamos as falhas dos outros, por que o
Criador em sua infinita compreensão não nos aceitaria como somos?
Pessoas não condenam seus bebês por eles não saber comer, falar e
andar corretamente; por que espíritos ainda imaturos pagariam por atos e
pensamentos que ainda não aprenderam a usar convenientemente, pela sua
própria falta de madureza espiritual?
O que pensar da Bondade Divina, que permite que as almas escolham
seu roteiro, de acordo com o livre-arbítrio, e depois cobrasse aquilo que elas
ainda não adquiriram?
A Divindade é “Puro Amor” e sabe muito bem de nossos mananciais
espirituais, mentais, psicológicos e físicos, ou seja, de nossa idade evolutiva,
pois habita em nosso interior e sempre suaviza nossos caminhos.
Na justa sucessão de espaço e tempo, condizente com o nosso grau de
visão espiritual, recebemos, por meio do fluxo divino, a onipresença, a
onisciência e a onipotência do Criador em forma de “senso de rumo certo”,
para trilharmos as rotas necessárias àampliação de nossos sentimentos e
conhecimentos. Diz a máxima:
“Não se colhem figos dos espinheiros”; (1) ora, como impor metas sem
levar em conta a capacidade de escolha e de discernimento dos indivíduos?
Efetivamente, nosso caminho é o melhor que podíamos escolher,

porque em verdade optamos por ele, na época, segundo nosso nível de
compreensão e de adiantamento. Se, porém, achamos hoje que ele não é o
mais adequado, não nos culpemos; simplesmente mudemos de direção,
selecionando novas veredas.
A trilha que denominamos “errada” é aquela que nos possibilitou
aprendizagem e o sentido do nosso “melhor”, pois sem o erro provavelmente
não aprenderíamos com segurança a lição. Nós mesmos é que nos provamos;
a cada passo experimentamos situações e pessoas, e delas retiramos
vantagens e ampliamos nosso modo de ver e sentir, a fim de crescermos
naturalmente, desenvolvendo nossa consciência.
Ninguém nos condena, nós é que cremos no castigo e por isso nos
autopunimos, provocando padecimento com nossos gestos mentais.
Aceitemos sem condenação todas as sendas que percorremos. Todas
são válidas se lhes aproveitarmos os elementos educativos, porque, assim
somadas, nos darão sabedoria para outras caminhadas mais felizes.
Mesmo aquelas trilhas que anotamos como caminhos do mal, não são
excursões negativas de perdição perante a vida, mas somente equivocadas
opções do nosso livre-arbítrio, que não deixam de ser reeducativas e
compensatórias a longo prazo.
Cada um percorre a estrada certa no momento exato, de conformidade
com seu estado de evolução. Tudo está certo, porque todos estamos nas mãos
de Deus.
(1) Lucas 6:44.