quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ligar-se a Deus

“... A forma não é nada, o pensamento é tudo. Orai, cada um, segundo
as vossas convicções e o modo que mais vos toca; um bom pensamento
vale mais que numerosas palavras estranhas ao coração...”








“... A forma não é nada, o pensamento é tudo. Orai, cada um, segundo
as vossas convicções e o modo que mais vos toca; um bom pensamento
vale mais que numerosas palavras estranhas ao coração...”
(Capítulo 28, item 1.)
No passado buscávamos Deus entre os holocaustos, oferendas,
incensos, cultos e cantos.
Era necessária uma representação semimaterial, apropriada ao nosso
estado de adiantamento e à nossa capacidade de entendimento espiritual.
Desde os velhos tempos do monoteísmo do grande Amenhotep 4º ou Akhnaton
e o do iluminado Moisés até as numerosas e antigas religiões politeístas, como
a dos hindus, egípcios, babilônios, germanos, gregos e romanos, a criatura
humana atravessou uma longa fase de amadurecimento espiritual.
Atualmente, as nossas relações com a Divindade têm caráter
introspectivo. Se antes a nossa busca se concretizava na exterioridade das
coisas, hoje, porém, a fazemos em “espírito e em verdade”, (1) ou seja, na
essência - imo de nós mesmos.
A introspecção - processo pelo qual prestamos atenção a nossos
próprios estados e atividades internas - conduz as criaturas a se identificar com
a maior de todas as fontes de poder do Universo:
Deus - manifestação onipresente em todas as suas criações.
Voltar-se para dentro de si mesmo talvez não seja uma atitude constante,
espontânea e natural na maioria dos seres humanos, por possuírem o hábito
de ocupar mais seus sentidos com as impressões externas do que com as
realidades interiores das coisas.
Muitos indivíduos vivem dentro de um círculo vicioso, na ânsia desmedida
de estímulos aparentes, mantendo-se constantemente ocupados com as
impressões de fora e nutrindo-se energeticamente só desses estímulos físicos.
Contudo, não podemos ignorar ou desvalorizar as fases evolutivas do homem,
pois viver para fora é ainda uma necessidade existencial de muitos na
atualidade; e é dessa forma que farão pontes ou conexões entre o mundo
interno e o externo, entendendo gradativamente que a vida exterior é um
reflexo da vida interior.
A busca às fontes de crescimento e renovação espiritual inicia-se vivendo
para fora, e aos poucos tomando consciência da vida em si mesmo; portanto,
tudo está perfeito na criação universal
- viver exteriormente não exclui viver interiormente. São etapas interligadas de
um longo processo de aprendizagem evolucional.
Perceber, no entanto, a verdadeira realidade do mundo que nos rodeia é
fator imprescindível para vivermos bem na intimidade de nós mesmos.
Nossa vida mais lúcida, mais Íntegra, mais prazerosa, mais criativa e
indissolúvel se desenvolve dentro de nós mesmos, nas atividades recônditas
dos pensamentos, dos sentimentos, da imaginação produtiva e da consciência
profunda.
Interiorizar-nos na oração, vivendo cada vez mais a plenitude da vida por
dentro, faculta-nos observar o que somos, quem somos e o que realmente está

acontecendo em nossas vidas. Facilita também nossa percepção entre o “real”
e o “imaginário”, diminuindo as possibilidades de iludir-nos ou fantasiarmos
fatos e ocorrências.
“Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita
em vós?” (2)
Tomar contato com “Deus em nós” possibilita trazer à nossa visão atual
uma translúcida consciência, que nos permite reavaliá-la convenientemente.
Faculta igualmente localizar os enganos e reformular percepçÕes, para que
possamos identificar a realidade tal qual é, pois viver ignorando o significado de
nossos atos e impulsos é desvalorizar o nosso processo evolutivo, passando
pela vida na inconsciência.
Cultivar o reino espiritual em nós facilita-nos escutar a verdade que
Deus reservou para cada uma de suas criaturas. Também no cultivo desse
reino aprendemos que a felicidade não é determinada por eventos ou forças
externas, mas no silêncio da alma, onde a inspiração divina vibra
intensamente.
Paulo de Tarso escreve aos Efésios: “... Que Ele ilumine os olhos dos
vossos corações, para saberdes qual é a esperança que o Seu chamado
encerra...” (3)
Buscar a Deus com os “olhos do coração”- na expressão paulina - é
reconhecer que somente olhando para dentro de nós mesmos, descobrindo o
que Deus escreveu em todos os corações, é que conseguiremos alcançar a
plenitude da vida abundante. E entregarmo-nos a partir daí a Sua Orientação e
Sabedoria, sem restringir-nos a “resultados esperados”. Essa a forma mais
consciente de orar.
O mais alto sistema de intercâmbio com a Vida em nós e fora de nós é
a oração - escutar a Deus no âmago da própria alma.
(1) João 4:23.
(2) 1º Coríntios 3:16.
(3) Efésios 1:18.