sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SOCIOLOGIA

54 –Com a difusão da luz espiritual, alargará o homem a noção de pátria, de modo a
abranger no mesmo nível todas as nações do mundo?
-A luz espiritual dará aos homens um conceito novo de pátria, de maneira a
proscrever-se o movimento destruidor pelos canhões e balas homicidas.
Quando isso se verifique, o homem aprenderá a valorizar o berço em que
nasceu, pelo trabalho e pelo amor, destruindo-se concomitantemente as
fronteiras materiais; e dando lugar à era nova da grande família humana, em
que as raças serão substituídas pelas almas e em que a pátria será honrada,
não com a morte, mas com a vida bem aplicada e bem vivida.
55 –A desigualdade verificada entre as classes sociais, no universo dos bens terrenos,
perdurará nas épocas do porvir?
-A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da
reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de
regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a
guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do
organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus
membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em
Jesus-Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos.
56 –Pode admitir-se, em Sociologia, o conceito de igualdade absoluta?
-A concepção igualitária absoluta é um erro grave dos sociólogos, em qualquer
departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse
sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para
efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu
íntimo, onde cada espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço.
Nessa questão existe uma igualdade absoluta de direitos dos homens perante
Deus, que concede a todos os seus filhos uma oportunidade igual nos tesouros
inapreciáveis do tempo. Esses direitos são os da conquista da sabedoria e do
amor, através da vida, pelo cumprimento do sagrado dever do trabalho e do
esforço individual. Eis por que cada criatura terá o seu mapa de méritos nas
sendas evolutivas, constituindo essa situação, nas lutas planetárias, um a
grandiosa progressiva em matéria de raciocínios e sentimento, em que se
elevará naturalmente todo aquele que mobilizar as possibilidades concedidas à
sua existência para o trabalho edificante da iluminação de si mesmo, nas
sagradas expressões do esforço individual.
57 –Poderão os homens resolver sem atritos as chamadas questões proletárias?
-Sim, quando se decidirem a aceitar e aplicar os princípios sagrados do
Evangelho. Os regulamentos apaixonados, as greves, os decretos unilaterais, as
ideologias revolucionárias, são cataplasmas inexpressivas, complicando a chaga
da coletividade.
O socialismo é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não resvala
para os pólos do extremismo.
Todos os absurdos das teorias sociais decorrem da ignorância dos homens
relativamente à necessidade de sua cristianização. Conhecemos daqui os maus
dirigentes e os maus dirigidos, não como homens ricos e pobres, mas como
avarentos e a revoltados. Nessas dias Expressões, as criaturas operam o
desequilíbrio de todos os mecanismos do trabalho natural.
A verdade é que todos os homens são proletários da evolução e nenhum
esforço de boa realização na Terra é indigno do espírito encarnado.
Cada máquina exige uma direção especial, e o mecanismo do mundo requer o
infinito de aptidões e de conhecimentos.
Sem a harmonia de cada peça na posição em que se encontra, toda produção é
contraproducente e toda boa tarefa impossível.
Todos os homens são ricos pelas bênçãos de Deus e cada qual deve aproveitar,
com êxito, os “talentos” recebidos, porquanto, sem exceção de um só,
prestarão um dia, ale-túmulo, contas de seus esforços.
Que os trabalhadores da direção saibam amar, e que os da realização nunca
odeiem. Essa é a verdade pela qual compreendemos que todos os problemas do
trabalho, na Terra, representam uma equação de Evangelho.
58 –Reconhecendo-se o Estado como aparelhamento de leis convencionais, é
justificável a sua existência, bem como a das classes armadas, que sustentam no
mundo?
-Na situação (ou condição) atual do mundo e considerando a heterogeneidade
dos caracteres e das expressões evolutivas das criaturas, examinadas
isoladamente, justifica-se a necessidade dos aparelhos estatais nas convenções
políticas, bem como das classes armadas que os mantém no orbe, como
institutos de ordem para a execução das provas individuais, nas contingências
humanas, até que o homem perceba o sentido de concórdia e fraternidade
dentro das leis do Criador; prescindindo então da obrigatoriedade de certas
determinações das leis humanas, convencionais e transitórias.
59 –Tem o Espiritismo um papel especial junto da Sociologia?
-Na hora atual da humanidade terrestre, em que todas as conquistas da
civilização se subvertem nos extremismos, o Espiritismo é o grande iniciador da
Sociologia, por significar o Evangelho redivivo que as religiões literalistas
tentam inumar nos interesses econômicos e na convenção exterior de seus
prosélitos (adeptos).
Restaurando os ensinos de Jesus para o homem e esclarecendo que os valores
legítimos da criatura são os que procedem da consciência e do coração, a
doutrina consoladora dos Espíritos reafirma a verdade de que a cada homem
será dado de acordo com seus méritos, no esforço individual, dentro da
aplicação da lei do trabalho e do bem; razão pela qual representa o melhor
antídoto dos venenos sociais atualmente espalhados no mundo pelas filosofias
políticas do absurdo e da ambição desmedida, restabelecendo a verdade e a
concórdia para os corações.
60 –Como se deverá comportar o espiritista perante a política do mundo?
_O sincero discípulo de Jesus está investido de missão mais sublime, em face
da tarefa política saturada de lutas materiais. Essa é a razão por que não deve
provocar uma situação de evidência para si mesmo nas administrações
transitórias do mundo. E, quando convocado a tais situações pela força das
circunstâncias, deve aceita-las não como galardão para a doutrina que professa,
mas como provação imperiosa e árdua, onde todo êxito é sempre difícil. O
espiritista sincero deve compreender que a iluminação de um mundo,
salientando-se que a tarefa do Evangelho, junto das almas encarnadas na
Terra, é a mais importante de todas, visto constituir e consolar e instruir, em
Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da
vida. Trocá-la por um lugar no banquete dos Estados é inverter o valor dos
ensinos, porque todas as organizações humanas são passageiras em face da
necessidade de renovação de todas as fórmulas do homem na lei do progresso
universal, depreendendo-se daí que a verdadeira construção da felicidade geral
só será efetiva com bases legítimas no espírito das criaturas.
61 –Como devemos encarar a política do racismo?
-Se é justo observarmos nas pátrias o agrupamento de múltiplas coletividades,
pelos laços afins da educação e do sentimento, a política do racismo deve ser
encarada como erro grave, que pretexto algum justifica, porquanto não pode
apresentar base séria nas suas alegações, que mal encobrem o propósito
nefasto de tirania e separatividade.
62 –O “não matarás” alcança o caçador que mata por divertimento e o carrasco que
extermina por obrigação?
-À medida que evolverdes no sentimento evangélico; compreendereis que todos
os matadores se encontram em oposição ao texto sagrado.
No grau dos vossos conhecimentos atuais, entendeis que somente os
assassinos que matam por perversidade estão contra a lei divina. Quando
avançardes mais no caminho, aperfeiçoando o aparelho social, não tolerareis o
carrasco, e, quando estiverdes mais espiritualizados, enxergando nos animais
os irmãos inferiores de vossa vida, a classe dos caçadores não terá razão de
ser.
Lendo, os nossos conceitos, recordareis os animais daninhos e, no íntimo,
haveis de ponderar sobre a necessidade do seu extermínio. É possível, porém,
que não vos lembreis dos homens daninhos e ferozes. O caluniador não
envenena mais que o toque de uma serpente? Com frieza a maquinaria da
guerra incompreensível não é mais impiedosa que o leão selvagem?...
Ponderemos essas verdades e reconheceremos que o homem espiritual do
futuro, com a luz do Evangelho na inteligência e no coração, terá modificado o
seu ambiente de lutas, auxiliando igualmente os esforços evolutivos de seus
companheiros do plano inferior, na vida terrestre.
63 –Considerando a determinação positiva do “não julgueis”, como poderemos
discernir do mal, sem julgamento?
-Entre julgar e discernir, há sempre grande distância. O ato de julgar para a
especificação de conseqüência definitiva pertence à autoridade divina, porém, o
direito da análise está instituído para todos os Espíritos, de modo que,
discernindo o bem e o mal, o erro e a verdade, possam as criaturas traçar as
diretrizes do seu melhor caminho para Deus.
64 –Em face da lei dos homens, quando em presença do processo criminal, deve darse
o voto condenativo, em concordância com o processo-crime, ou absolver o réu em
obediência ao “não julgueis”?
-Na esfera de nossas experiências, consideramos que, à frente dos processos
humanos, ainda quando as suas peças sejam condenatórias, deve-se recordar a
figura do Cristo junto da pecadora apedrejada, pois que Jesus estava também
perante um júri.
“Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra” – é a sentença que deveria
lembrar, sempre, a nossa situação comum de Espíritos decaídos, para não
condenar esse ou aquele dos nossos semelhantes. “Vai e não peques mais” –
deve ser a nossa norma de conduta dentro do próprio coração, afastando-se a
erva do mal que nele viceje.
Nos processos públicos, a autoridade judiciária, como peça integrante da
máquina do Estado no desempenho de suas funções especializadas, deve saber
onde se encontra o recurso conveniente para o corretivo ou para a reeducação
do organismo social, mobilizando, nesse mister, os valores de sua experiência e
de suas responsabilidades.
Individualmente, porém, busquemos aprender que se podemos “julgar” alguma
coisa, julguemo-nos, sempre, em primeiro lugar, como o irmão mais próximo
daquele a quem se atribui um crime ou uma falta, a fim de estarmos acordes
com Aquele que é a luz dos nossos corações.
Nas horas comuns da existência, procuremos a luz evangélica para analisar o
erro e a verdade, discernir o bem e o mal; todavia, no instante dos julgamentos
definitivos, entreguemos os processos A Deus, que, antes, de nós, saberá
sempre o melhor caminho da regeneração dos seus filhos trabalhadores.
65 –O homem que guarda responsabilidade nos cargos públicos da Terra responde, no
plano espiritual, pelas ordens que cumpre e faz cumprir?
-A responsabilidade de um cargo público, pelas suas características morais, é
sempre mais importante que a concedida por Deus sobre um patrimônio
material. Daí a verdade que, na vida espiritual, o depositário do bem público
responderá sempre pelas ordens expedidas pela sua autoridade, nas tarefas da
Terra.
66 –O preceito evangélico – “assim, pois, aquele que dentre vós não renunciar a tudo
o que tem, não pode ser meu discípulo” – deve ser interpretado no sentido absoluto?
-Ainda esse ensino do Mestre deve ser considerado no seu divino simbolismo.
A fortuna e a autoridade humanas são também caminhos de experiências e
provas, e o homem que as atirasse fora de si, arbitrariamente, procederia com
a noção da irresponsabilidade, desprezando o ensejo do progresso que a
Providência Divina lhe colocou nas mãos.
Todos os homens são usufrutuários dos bens divinos e os convocados ao
trabalho de administração desses bens devem encarar a sua responsabilidade
como problema dos mais sérios da vida.
Renunciando ao egoísmo, ao orgulho, à fraqueza, às expressões de vaidade, o
homem cumprirá a ordenação evangélica, e, sentindo, a grandeza de Deus,
único dispensador no patrimônio real da vida, será discípulo do Senhor em
quaisquer circunstâncias, por usar as suas possibilidades materiais e espirituais,
sem os característicos envenenados do mundo, como intérprete sincero dos
desígnios divinos para felicidade de todos.
67 –Como interpretar o movimento feminista na atualidade da civilização?
-O homem e a mulher, no instituto conjugal, são como o cérebro e o coração do
organismo doméstico.
Ambos são portadores de uma responsabilidade igual no sagrado colégio da
família; e, se a alma feminina sempre apresentou um coeficiente mais avançado
de espiritualidade na vida, é que, desde cedo, o espírito masculino intoxicou as
fontes da sua liberdade, através de todos os abusos, prejudicando a sua posição
moral no decurso das existências numerosas, em múltiplas experiências
seculares.
A ideologia feminista dos tempos modernos, porém, com as diversas bandeiras
políticas e sociais, pode ser um veneno para a mulher desavisada dos seus
grandes deveres espirituais na face da Terra. Se existe um feminismo legítimo,
esse deve ser o da reeducação da mulher para o lar, nunca para uma ação
contraproducente fora dele. É que os problemas femininos não poderão ser
solucionados pelos códigos do homem, mas somente à luz generosa e divina do
Evangelho.
68 –Como conceituar o estado de espírito do homem moderno, que tanto se preocupa
com o “estar bem na vida”, “ganhar bem” e “trabalhar para enriquecer”?
-Esse propósito do homem viciado, dos tempos atuais. Constitui forte expressão
de ignorância dos valores espirituais na Terra, onde se verifica a inversão de
quase todas as conquistas morais.
Foi esse excesso de inquietação, no mais desenfreado egoísmo, que provocou a
crise moral do mundo, em cujos espetáculos sinistros podemos reconhecer que
o homem físico, da radiotelefonia e do transatlântico, necessita de mais verdade
que dinheiro, de mais luz que de pão.
Da Obra “O CONSOLADOR” – Espírito: EMMANUEL – Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER