sexta-feira, 30 de março de 2012

Baixas

No dia em que a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque teve início, o mundo inteiro estava atento aos noticiários e quase todos os meios de comunicação divulgavam os fatos, com incrível rapidez.
O silvar dos mísseis, a fumaça, misturada com a claridade provocada pela explosão, eram imagens constantes.
Os pontos atingidos pelos bombardeios, os soldados capturados, a posição das tropas, eram fatos revelados pela mídia.
Vez que outra, uma imagem de civis feridos, soldados mortos, aeronaves abatidas.
Aviões decolando de suas bases, carregados de mísseis e mais mísseis, se podia ver com frequência.
A cobertura jornalística da guerra, como se diz, estava cumprindo o seu papel.
Passados alguns dias, as pessoas deixaram de se importar tanto com esse acontecimento. Principalmente as que não conseguem ouvir o estrondo das explosões, nem os gritos de dor e desespero, nem o odor fétido daqueles cujos corpos são dilacerados pelas chamas das explosões...
Mas, há outra realidade que ninguém mostra...
É algo tão cruel que, se mostrado, talvez mudasse o rumo dos acontecimentos...
É o desespero e a sensação de impotência dos pais dos soldados enviados para as frentes de batalha.
São os sentimentos dos soldados. Jovens que foram arrancados do conforto de seus lares e empurrados para morrer, a qualquer momento, numa guerra que não provocaram...
Se se pudesse ouvir e sentir seus gemidos de pavor ante a escuridão, seus medos, suas inseguranças, seus prantos silenciosos de saudades dos seus amores...
Ah, se fosse registrada a situação a que se converteram os bravos soldados, após várias noites sem dormir...
Alguns ficam mais de uma semana sem nenhum repouso, pois um cochilo pode significar a morte.
Mas isso é resolvido com anfetaminas para render mais... Afinal, são máquinas de guerra.
Não! É impossível imaginar o que sejam o tormento da fome, da sede, do sono, do cansaço, aliados ao temor de um ataque surpresa do inimigo.
Se se pudesse registrar a agonia de filhos perdidos em meio à paisagem devastada pelos ataques, à procura de pais cujos corpos jazem sobre escombros, cinzas e sangue...
Isso, certamente, os que optam pela guerra não sabem o que é.
Talvez digam que é preciso sacrificar algumas vidas, desde que não seja a sua ou a de seus familiares...
Como não se pode registrar esses sentimentos, ninguém toma conhecimento, a não ser aqueles que estão na mesma situação.
E, quando, por fim, o pior acontece, o pavor do combatente é silenciado pelo manto escuro da morte, aquele jovem é contado apenas como uma baixa a mais.
Sim, sua existência foi interrompida, seus sonhos violentados, seus sentimentos desconsiderados... Mas, isso foi apenas mais uma baixa.
Como dizer a uma mãe ou a um pai que aquele filho ou filha, que há pouco cantarolava pela casa, agora representa apenas mais um número na triste estatística das baixas no campo de batalha?
Isso não faz sentido...
Mas, quem se importa?
Para os governantes de países que sacrificam seus cidadãos em nome da liberdade, as riquezas minerais e seus interesses escusos são mais importantes do que vidas humanas.
Vale a pena pensar, como cidadãos dessa grande aldeia chamada Terra, sobre essas questões que tanto entristecem aqueles que realmente desejam a paz.
É importante pensar, principalmente quando se elege os representantes, sobre quem é a favor dessas atrocidades e quem é a favor da vida, do ser humano, dos sentimentos alheios.
Talvez você esteja se perguntando: Mas, o que eu posso fazer, agora, para mudar a situação?
Você pode enviar, através de uma oração sincera, as suas melhores vibrações de paz em favor, primeiro, dos que mais precisam: os governantes responsáveis por essas insanidades.
Segundo, por aqueles que sofrem a consequência dessas atrocidades.
Pense nisso, e faça a sua parte.

Redação do Momento Espírita.