terça-feira, 27 de março de 2012

Cooperação

Para que alguém dirija com êxito e eficiência uma empresa
importante, não lhe basta a nomeação para o encargo.
Exige-se-lhe um conjunto de qualidades superiores para que a
obra se consolide e prospere. Não apenas autoridade, mas direção
com discernimento. Não só teoria e cultura, mas virtude e juízo
claro de proporções.
Dilatados recursos nas mãos, a serviço de uma cabeça sem
rumo, constituem tesouros nos braços da insensatez, assim como a
riqueza sem orientação é navio à matroca.
Quem governa emitirá forças de justiça e bondade, trabalho e
disciplina, para atingir os objetivos da tarefa em que foi situado.
Quando o poder é intemperante, sofre o povo a intranqüilidade
e a mazorca, e, quando a inteligência não possui o timão do
caráter sadio, espalha, em torno, a miséria e a crueldade.
Daí, conhecermos tantos tiranos nimbados de grandeza mental
e tantos gênios de requintada sensibilidade, mas atolados no
vício.
No mundo íntimo, a vontade é o capitão que não pode relaxar
no mister que lhe é devido.
E assim como o administrador de um serviço reclama a ajuda
de assessores corretos, a vontade não prescindirá da ponderação e
da lógica, conselheiros respeitáveis na chefia das decisões.
No entanto, urge que o senso de cooperação seja chamado a
sustentar-lhe os impulsos.
Nas linhas da atividade terrestre, quem orienta com segurança
não ignora a hierarquia natural que vige na coexistência de todos
os valores indispensáveis à vida.
Na confecção do agasalho comum, o fio contará com o apoio
da máquina, a máquina esperará pela competência do operário, o
operário edificar-se-á no técnico que lhe supervisiona o trabalho,
o técnico arrimar-se-á na diretoria da fábrica e a diretoria da
fábrica equilibrar-se-á no movimento da indústria, dele extraindo
o combustível econômico necessário à alimentação do núcleo de
serviço que lhe obedece aos ditames.
Observamos, assim, que no Estado Individual a vontade, para
satisfazer à governança que lhe compete, sem colapsos de equilíbrio,
precisa socorrer-se da colaboração a fim de que se lhe clareie
a atividade.
A cooperação espontânea é o supremo ingrediente da ordem.
Da Glória Divina às balizas subatômicas, o Universo pode ser
definido como sendo uma cadeia de vidas que se entrosam na
Grande Vida.
Cooperação significa obediência construtiva aos impositivos
da frente e socorro implícito às privações da retaguarda.
Quem ajuda é ajudado, encontrando, em silêncio, a mais segura
fórmula de ajuste aos processos da evolução.