sábado, 31 de março de 2012

Instrução

Já se disse que duas asas conduzirão o espírito humano à presença
de Deus.
Uma chama-se Amor, a outra, Sabedoria.
Pelo amor, que, acima de tudo, é serviço aos semelhantes, a
criatura se ilumina e aformoseia por dentro, emitindo, em favor
dos outros, o reflexo de suas próprias virtudes; e, pela sabedoria,
que começa na aquisição do conhecimento, recolhe a influência
dos vanguardeiros do progresso, que lhe comunicam os reflexos
da própria grandeza, impelindo-a para o Alto.
Através do amor valorizamo-nos para a vida.
Através da sabedoria somos pela vida valorizados.
Daí o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade.
Bondade que ignora é assim como o poço amigo em plena
sombra, a dessedentar o viajor sem ensinar-lhe o caminho.
Inteligência que não ama pode ser comparada a valioso poste
de aviso, que traça ao peregrino informes de rumo certo, deixando-
o sucumbir ao tormento da sede.
Todos temos necessidade de instrução e de amor.
Estudar e servir são rotas inevitáveis na obra de elevação.
Toda a cultura intelectual é formada em cadeia de gradativa
expansão.
As civilizações sucedem-se, ininterruptas, ao influxo da herança
mental.
A arte, na palavra ou na música, no buril ou no pincel, evolui
e se aprimora, por intermédio da repercussão a exprimir-se no
trabalho dos cultivadores do belo, que se inspiram uns nos outros.
A escola é um centro de indução espiritual, onde os mestres
de hoje continuam a tarefa dos instrutores de ontem.
O livro representa vigoroso ímã de força atrativa, plasmando
as emoções e concepções de que nascem os grandes movimentos
da Humanidade, em todos os setores da religião e da ciência, da
opinião e da técnica, do pensamento e do trabalho. Por esse dínamo
de energia criadora, encontramos os mais adiantados serviços
de telementação, porquanto, a imensas distâncias, no espaço e no
tempo, incorporamos as idéias dos espíritos superiores que passaram
por nós, há Séculos.
Sócrates reflete-se nas páginas dos discípulos que lhe comungavam
a intimidade e, ainda hoje, consumimos os elevados pensamentos
de que foi ele o portador.
Retrata-se Jesus nos livros dos apóstolos que lhe dilataram a
obra e temos, no Evangelho, um espelho cristalino em que o
Mestre se reproduz, por divina reflexão, orientando a conduta
humana para a construção do Reino de Deus entre as criaturas.
Conhecer é patrocinar a libertação de nós mesmos, colocando-
nos a caminho de novos horizontes na vida.
Corre-nos, pois, o dever de estudar sempre, escolhendo o melhor
para que as nossas idéias e exemplos reflitam as idéias e os
exemplos dos paladinos da luz.